domingo, 28 de junho de 2015

Eu cedi. Cada fio do meu cabelo desistiu. As unhas do meu pé desistiram. As da mão eu roí (eu ruí). Cada cravo do meu rosto, cada pelo da minha perna, cada gota de suor, todos eles desistiram. Os fiapos das minhas blusas de frio com cheiro de mofo, as costuras mal feitas no vestido, as teclas do meu computador também desistiram. Cada música que eu escuto, cada livro que eu leio, falam sobre como tudo desistiu. Cada passo que eu dou é de desistência. Cada célula do meu corpo desistiu. Até as mortas. As fotos, os filmes, os desenhos e as risadas. Desistiram também. A comida no prato e o café frio também desistiram. Cada maldito milímetro de tudo que me pertence e ainda vai me pertencer desistiu. Eu desisti. Não vai passar. Não vai deixar de doer. E dói em cada célula, as vivas e as mortas. Em cada passo. Em cada tecla. Em cada letra cheia de rancor que te escrevo e você não lê. Não vai passar.

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