sábado, 21 de junho de 2014

A cabeça voa longe. Desgovernada. Sem rumo.

O corpo continua imóvel. Sujo, prostrado, inerte.

A cabeça gira como a de um bêbado. Como a de um indigente que se embebeda pra esquecer que a noite chega e todos se recolhem em suas casas. E a casa dele é a sarjeta. A casa dele é lugar nenhum. A cabeça gira como numa roleta russa. Sem fim. Sem ponto. Roleta que não dispara. Não acaba com a angústia de saber que depois do primeiro gole, a bebida sempre chega ao fim. De saber que a porta em que você entrar vai ser a mesma que você vai sair. De saber que depois do primeiro olhar, o amor sempre acaba. E o indigente esquece que todos já foram. Esquece como chegou ali. A cabeça sem rumo esquece porque se perdeu. Mas continha se perdendo. Se embebedando.

O corpo continua só, prostrado, são.

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