terça-feira, 6 de maio de 2014

Eu perguntei se ela queria ir embora e antes que eu pudesse perceber ela já estava no portão. Em um minuto ela já estava no pé do morro. A saia dançando com o vento, como se quisesse voar pra longe de mim. Em três minutos eu já não conseguia mais sentir seu cheiro. Ela continuava voando, atravessando a rua na frente dos carros como se fosse obrigação deles ajudar em sua fuga. Com cinco minutos ela já estava no ponto de ônibus, pensando em outra coisa, qualquer outra coisa. Com quarenta e cinco minutos ela desceu do ônibus, pensando na explicação que daria por chegar aquela hora. Com cinquenta e cinco minutos ela já tinha pensado, elaborado e contado uma história aleatória e clichê. Uma hora e ela já estava tirando a roupa no banheiro e reclamando baixinho de um corpo que eu nunca vi defeito. Uma hora e três e ela ligou o chuveiro na água mais quente que podia e entrou debaixo daquela nuvem de fumaça, fervendo, deixando sua pele vermelha, como costumava ficar antes, só que comigo. Uma e trinta e cinco e ela está debaixo das cobertas comendo alguma coisa e pensando se deveria fazer aquele trabalho. Mas não vai. Duas horas e ela apaga as luzes, ajeita os travesseiros, coloca o despertador e fecha os olhos torcendo pra dormir logo, torcendo pra cabeça parar de pensar. Duas horas e um que ela saiu e eu ainda estou esperando ela voltar dizendo que esqueceu de me beijar.

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