terça-feira, 20 de agosto de 2013

(500) pt. II

Sinto saudades do que eu inventei. Saudades daquelas partes pequenas, aquelas palavras que tinham um momento certo para serem ditas mas ninguém nunca disse. Sinto saudades do sorriso que eu devia ter dado aquele dia, mas eu não dei. Engraçado, agora eu sinto saudades de muita coisa que eu não gostei. Mas mesmo assim eu sinto saudades porque eu tinha alguém aqui. Eu tinha alguém pra brigar, bater, ficar de mal e depois beijar. Sinto saudades de como eu odiava estar errada, e daquele abraço forte. Saudades de me sentir pequena. Protegida. Eu inventei tanta coisa depois que você foi embora. Aquela imagem de você indo pra não voltar me doeu demais. Inventei tanta felicidade que eu nunca senti. Inventei tanto amor que eu nunca te dei. Amor esse em que você me afogou. Tem coisa que eu não inventei também. Mas eu não sei mais o que aconteceu. Não sei o que foi verdade ou o que eu inventei por carência. Não sei se eu inventei essa saudade do meu gigante, ou de ser amada.

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