quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Me pediram pra escolher. Pediram não, mandaram. Me obrigaram. Eu, que por minha vez, nunca tive certeza nem de que meia usaria (isso explica o fato de eu usar um de cada cor), me apavorei. Bom, na verdade não foi bem isso. Eu sabia o que escolher, só não sabia se essa opção iria existir. Tentei explicar: É algo como escrever as cores, pintar as palavras, expor o invisível e esconder o especial. É alguma coisa entre ensinar pra ninguém e falar calado. Alguma coisa que transita entre o branco e o preto. Sim, tudo que transita entre os dois. Digamos que seja um pouco daquilo porém sem aquela parte, sabe aquela? Não essa, aquela. Sim, essa mesmo. É uma mistura entre isso e aquilo ali, com a única diferença que seria ao contrário. Entendeu? Eu também não.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

(500) pt. II

Sinto saudades do que eu inventei. Saudades daquelas partes pequenas, aquelas palavras que tinham um momento certo para serem ditas mas ninguém nunca disse. Sinto saudades do sorriso que eu devia ter dado aquele dia, mas eu não dei. Engraçado, agora eu sinto saudades de muita coisa que eu não gostei. Mas mesmo assim eu sinto saudades porque eu tinha alguém aqui. Eu tinha alguém pra brigar, bater, ficar de mal e depois beijar. Sinto saudades de como eu odiava estar errada, e daquele abraço forte. Saudades de me sentir pequena. Protegida. Eu inventei tanta coisa depois que você foi embora. Aquela imagem de você indo pra não voltar me doeu demais. Inventei tanta felicidade que eu nunca senti. Inventei tanto amor que eu nunca te dei. Amor esse em que você me afogou. Tem coisa que eu não inventei também. Mas eu não sei mais o que aconteceu. Não sei o que foi verdade ou o que eu inventei por carência. Não sei se eu inventei essa saudade do meu gigante, ou de ser amada.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

(500)

Eu tenho tudo que deveria ter. Tenho os filmes e as músicas que você me ensinou a ouvir. Tenho todas as lembranças me machucando. E machucando muito. Tenho vontade de pegar aquele ônibus toda vez que vejo ele passando na rua aqui de casa. Tenho a casa livre pra gente andar sem roupa por aí. Tenho seus cigarros preferidos. Aqueles que eu odiava, e agora não vivo sem. Tem aquele muro na frente do seu apartamento pedindo pra ser pintado. Pedindo pra eu ir lá e dizer isso tudo. Tenho tudo que eu deveria ter. Só não tem você.