terça-feira, 4 de junho de 2013

Amnésia Voluntária

Ainda tem quem me pergunte de você. E aí vai por água abaixo todo  o meu exercício diário de te apagar de mim. Ainda tem quem me pergunte de você, e eu tento não me perguntar o mesmo. Seu rosto me vem à memória e meu estômago embrulha, minha cabeça dói. Eu sinto um ódio mortal. De você? De mim? Não sei. Só sei que sua existência me assombra, e cada mísera lembrança sua me derruba. Ainda não cicatrizou. Ainda não passou a dor. Ainda não passou o amor? Ainda tem quem me pergunte de você e eu respondo indiferente "Quem? Ah, sim! Não sei. Não me interessa". E cada dia mais eu te mato dentro de mim. Dia após dia, seu assassinato ronda meus pensamentos, como se de alguma forma eu pudesse simplesmente te deletar, te excluir. Te superar. Ainda tem quem me pergunte de nós. Há quanto não existe o "nós"? Eu me perdi no tempo e não quis que ninguém ajudasse a me achar. Ainda tem seu cheiro naquela blusa. Na verdade, não tem não, porque de tanto eu usar, foi inevitável ter que lavá-la, mas eu prefiro acreditar que tem e que eu ainda posso te sentir quando uso ela. Por mais errado que isso seja, e é. Ainda tem que me pergunte de você, mas... Eu não sei. Nem de você, nem de mim.

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