quinta-feira, 18 de abril de 2013

Outono

Sentei ali naquele banco frio. A praça estava toda vazia. Nas tardes quentes, ela costuma ficar cheia de crianças, correndo de um lado pro outro, gritando e pulando, mas hoje está tudo frio. O vento era minha única companhia ali. Eu sentei e antes mesmo que eu pudesse notar, vi que uma única e mísera lágrima caiu do meu olho. Foi a primeira lágrima de meses. Dentro dela tinha tudo que eu vi e fingi não ver. Tudo que eu ouvi e preferia não ter ouvido. Tudo que eu senti e não deveria ter sentido. De repente eu senti que poderia colocar todos os meus sentimentos empoleiradinhos na cabeça de um alfinete. De tão apertados que eles estão. Eu senti que pouco a pouco eles foram perdendo espaço e eu não sei o que fazer com tanta coisa e tão pouco lugar. Tanta coisa em tão pouco tempo. Eu me senti sufocar. Eu sucumbi à tudo aquilo que evitei e vacilei. Caí da corda. E a regra é clara, quem cai, volta ao começo. De repente eu senti que tudo que eu mais queria, era não sentir. E eu estava lá, sentada naquele banco frio. Sozinha.

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