terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval é todo dia

O carnaval chegou. E eu, que todo ano ficava sentada, emburrada, em frente à tv, falando mal de todo esse dinheiro gasto a toa, de toda essa vulgaridade sem próposito, e de toda essa irresponsabilidade bêbada, me vesti de purpurina e fui pra rua. Eu que sempre achei que tanto dinheiro gasto em pedras, plumas e paêtes seria muito melhor aproveitado em escolas e hospitais, pintei a cara e segui o bloco. Não que eu tenha mudado de idéia quanto à isso. Tanto dinheiro teria sim, fins muito mais proveitosos e duradouros. Mas não tem. O brasileiro não sabe viver à base de seriedade. O brasileiro não sabe viver sem a festa da bunda de fora. O que é outro rótulo errado. Falar que o carnaval é a festa da bunda de fora, é generalizar. É julgar pelo que se vê na tv, desfilando na Sapucaí. Vai pra rua e vê a quantidade de criança fantasia jogando confete pro alto tem lá. Vai ver quanta gente idosa não fica jovem cantando marchinha na rua. Vai na rua, e vê quanta gente esperou um ano todo pra poder ser quem sempre quis, de salto e batom, de peruca e brilho, de sorriso e amor. O carnaval chegou e passou, e eu cheguei à uma conclusão. Não dá pra esperar um feriado no ano pra ser quem você é. Pra aproveitar o tem que ser aproveitado. Carnaval é todo dia.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Compro Inspiração

Eu vou surtar se eu não puder sujar de tinta tudo o que eu quero. Eu vou surtar enquanto eu não conseguir colocar no papel aquela imagem que está na minha cabeça há semanas. Eu vou pirar se eu não puder deitar na minha cama, toda suja, exausta, mas com uma pintura nova na parede. Eu vou simplesmente explodir se eu não tiver mais nenhuma roupa pra cortar, nenhuma tinta pra pintar o cabelo, ou nenhum livro pra ler. Eu vou sair do sério se eu não tiver com o que ocupar minha cabeça à cada segundo. Eu preciso de novidade. Eu preciso ter o que fazer. Eu preciso fazer o que eu quero. Eu preciso de tudo que eu posso ter. Eu preciso de inspiração e coragem.