domingo, 6 de janeiro de 2013

O Sonho de Ícaro

Sabe, eu queria ser um pássaro. Acho que o ócio nos faz perceber certas coisas que antes passavam despercebidas, e os últimos tempos eu tenho pensado em como seria bom se eu fosse um pássaro. Qualquer pássaro. Eu não faria questão nenhuma de ser uma bela e imponente águia. Eu seria tranquilamente   um pombo, uma andorinha, um canário, um quero quero, até mesmo um urubu, desde que eu fosse um pássaro. Deve ser tão boa a liberdade de voar. Deve ser tão incrível o poder de alcançar vôos e mais vôos. O poder de planar, de sentir o vento levando... Pensando bem, eu queria ser qualquer animal que voasse. Qualquer um. Eu poderia ser um besouro, grande e desajeitado. Ou uma mosquinha, dessas que vive um dia só. Eu poderia perfeitamente ser uma libélula, um inseto incrivelmente gracioso. Melhor! Eu poderia ser um vagalume! Ah, como eu adoraria ser um vagalume, ter minha luz, meu brilho, ser um pequeno farol na escuridão. Falando assim eu me sinto um pouco como Ícaro, da mitologia grega. Muitos não sabem a história dele, e se não sabem, recomendo ouvir a música Sonho de Ícaro, que eu particularmente acho linda. Quando eu era pequena, eu não gostava de ouvir ela. A achava muito triste. Mas hoje, eu não ligaria de terminar minha vida como Ícaro. Não ligaria de morrer por um sonho meu. E sabe do que mais? Está decidido. Eu queria ser uma borboleta. Queria poder mudar de forma, queria pouco a pouco, ir me transformando no que eu sempre sonhei em ser. Queria ter o meu tempo pra me reinventar e quando eu estivesse pronta, sair para voar. Clichê, não é? Muito. Mas a vida é um clichê, meu caro.

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