quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais. Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes, ler mais. Sair mais. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinho, quero ter momentos de paz. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Quero ser feliz, quero sossego. Quero me olhar mais. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais. Não quero esperar mais. Quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero ousar mais. Experimentar mais. Quero menos ”mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Fernando Pessoa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Feliz Ano Novo



Você me perguntou “O que você quer pra esse ano?”. Eu pensei numas mil coisas pra falar. A maioria delas você não ia entender. Eu poderia falar que queria passar de ano na escola, que queria um emprego bom, que queria um amor pra vida toda, ou ganhar na loteria. As ondas quebravam e a água molhava os meus pés. “O que você quer pra esse ano?”. Eu poderia querer um carro, uma moto, uma casa, um corpo sarado ou só um tênis novo. Seu sorriso despreocupado me deixava boba “Qualquer coisa. Tem que ter alguma coisa.”.  Eu poderia dizer que queria que aquela noite não acabasse mais, ou que todos os meus dias fossem como aquele. Eu pensei em muita coisa, das quais nenhuma delas eu realmente queria. Então, com vergonha por ser tão simplória, respondi “Eu só quero ficar bem.”.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eu não fui criança. Eu não soube criança. Eu passei minha infância toda agindo e pensando como adulta. E hoje não dá mais tempo de tentar ser criança de novo.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O Sonho de Ícaro

Sabe, eu queria ser um pássaro. Acho que o ócio nos faz perceber certas coisas que antes passavam despercebidas, e os últimos tempos eu tenho pensado em como seria bom se eu fosse um pássaro. Qualquer pássaro. Eu não faria questão nenhuma de ser uma bela e imponente águia. Eu seria tranquilamente   um pombo, uma andorinha, um canário, um quero quero, até mesmo um urubu, desde que eu fosse um pássaro. Deve ser tão boa a liberdade de voar. Deve ser tão incrível o poder de alcançar vôos e mais vôos. O poder de planar, de sentir o vento levando... Pensando bem, eu queria ser qualquer animal que voasse. Qualquer um. Eu poderia ser um besouro, grande e desajeitado. Ou uma mosquinha, dessas que vive um dia só. Eu poderia perfeitamente ser uma libélula, um inseto incrivelmente gracioso. Melhor! Eu poderia ser um vagalume! Ah, como eu adoraria ser um vagalume, ter minha luz, meu brilho, ser um pequeno farol na escuridão. Falando assim eu me sinto um pouco como Ícaro, da mitologia grega. Muitos não sabem a história dele, e se não sabem, recomendo ouvir a música Sonho de Ícaro, que eu particularmente acho linda. Quando eu era pequena, eu não gostava de ouvir ela. A achava muito triste. Mas hoje, eu não ligaria de terminar minha vida como Ícaro. Não ligaria de morrer por um sonho meu. E sabe do que mais? Está decidido. Eu queria ser uma borboleta. Queria poder mudar de forma, queria pouco a pouco, ir me transformando no que eu sempre sonhei em ser. Queria ter o meu tempo pra me reinventar e quando eu estivesse pronta, sair para voar. Clichê, não é? Muito. Mas a vida é um clichê, meu caro.