quinta-feira, 5 de dezembro de 2013



Ele ama meu pés sempre sujos por odiarem ficar calçados. Ama minha mãos, magras, brancas, com as unhas sempre curtas, nunca feitas, sujas de tinta. Ama meu cabelo. Ama quando eu passo horas na frente do espelho arrumando ele pra sair. E ama mais ainda de manhã, quando eu acordo e cada cacho dele está num lugar diferente. Ama meu grito abafado, minha voz desafinada. Ama minha barriga. Minhas pernas. Minha boca. Meus olhos. Meus braços. Meus traços. Meus pontos, minha vírgulas. Ele ama minha exclamações e interrogações. Me ama de cima à baixo. Ele me ama quando eu não me amo. E eu amo ele.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O cigarro tem gosto de você.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pode respirar meu ar
O resto que sobrou
O que você ainda não tirou
O tempo tá seco demais
Me molha com o seu suor
Se seca com o seu amor
Deixa a janela aberta
Pro vento entrar
Pro mundo ver
Como a gente se completa
Deixa eu dormir tranquila
Exausta
Só pra te ver acordar
Deixa eu acordar assim
Amanhã e quarta também
Pra ser seu ar
Pra ser sua

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Desagua essa dor
Expulsa o rancor
Afoga a mágoa
Em um mar
De paz

Afasta a melancolia
Chore todos os rios
Todas as chuvas
Todas as enchentes
E deixa o sol secar tudo

Pinte todas as paredes
De branco, de nada
Só pra ter o que pintar
Só pra ter o que sujar

Deixa eu ser parede
Deixa eu me pintar de branco
De nada
Pra você me pintar
Pra você me sujar
Pra gente começar do zero
Pra gente se reinventar
Juntos.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Bolso furado, alma vazia



Andando na rua esses dias, percebi que o bolso da minha calça estava furado. Como percebi? Eu comecei a perder as coisas. Num dia eu perdi umas moedas, no dia seguinte meu isqueiro desapareceu, depois, eu perdi aquele papel com aquele endereço, perdi o bilhete do cinema, perdi a foto 3x4, perdi a calma e esqueci de perder a raiva. Perdi o ultimo chiclete e aquele recadinho que você deixou pra mim hoje de manhã. Perdi o rumo, perdi o ônibus, perdi meu anel e quase perdi meu juízo. Perdi a cabeça, mas ela eu achei. Perdi o trocado do ônibus, o trocado do troco, o trocado do pão. Perdi tanta coisa que eu nem lembro mais. Poderia ter perdido mais coisa. Podia ter me perdido de vez, só pra você me achar. Perdi a hora, perdi a aula, perdi o cartão e perdi vontade. Tudo culpa do bolso furado. Tudo culpa da alma furada.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sempre cabe amor num peito machucado

Ela tem tanto medo do amor que nem cita seu nome em voz alta. Tem tanto medo que fez promessa pra não se apaixonar nunca mais. Ela tem tanto, mas tanto medo do amor que jura de pé junto que agora só vai amar a si mesma. Ela morre de medo do amor, morre de medo de amar. Ela não fala sobre ele, não pensa sobre ele. Mas o amor é traiçoeiro. Ele escolhe quem não o quer. Ele é como uma flor que nasce na pedra, sem ser convidada, e vai brotando do nada. O amor é faceiro e se instala fácil fácil no coração de quem está ocupado tentando parecer forte e inabalável. O amor abala. E a garota que morria de medo dele, e batia na madeira quando ouvia falar sobre, se viu um dia se despedindo com essas exatas palavras: "Te amo".

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Me pediram pra escolher. Pediram não, mandaram. Me obrigaram. Eu, que por minha vez, nunca tive certeza nem de que meia usaria (isso explica o fato de eu usar um de cada cor), me apavorei. Bom, na verdade não foi bem isso. Eu sabia o que escolher, só não sabia se essa opção iria existir. Tentei explicar: É algo como escrever as cores, pintar as palavras, expor o invisível e esconder o especial. É alguma coisa entre ensinar pra ninguém e falar calado. Alguma coisa que transita entre o branco e o preto. Sim, tudo que transita entre os dois. Digamos que seja um pouco daquilo porém sem aquela parte, sabe aquela? Não essa, aquela. Sim, essa mesmo. É uma mistura entre isso e aquilo ali, com a única diferença que seria ao contrário. Entendeu? Eu também não.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

(500) pt. II

Sinto saudades do que eu inventei. Saudades daquelas partes pequenas, aquelas palavras que tinham um momento certo para serem ditas mas ninguém nunca disse. Sinto saudades do sorriso que eu devia ter dado aquele dia, mas eu não dei. Engraçado, agora eu sinto saudades de muita coisa que eu não gostei. Mas mesmo assim eu sinto saudades porque eu tinha alguém aqui. Eu tinha alguém pra brigar, bater, ficar de mal e depois beijar. Sinto saudades de como eu odiava estar errada, e daquele abraço forte. Saudades de me sentir pequena. Protegida. Eu inventei tanta coisa depois que você foi embora. Aquela imagem de você indo pra não voltar me doeu demais. Inventei tanta felicidade que eu nunca senti. Inventei tanto amor que eu nunca te dei. Amor esse em que você me afogou. Tem coisa que eu não inventei também. Mas eu não sei mais o que aconteceu. Não sei o que foi verdade ou o que eu inventei por carência. Não sei se eu inventei essa saudade do meu gigante, ou de ser amada.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

(500)

Eu tenho tudo que deveria ter. Tenho os filmes e as músicas que você me ensinou a ouvir. Tenho todas as lembranças me machucando. E machucando muito. Tenho vontade de pegar aquele ônibus toda vez que vejo ele passando na rua aqui de casa. Tenho a casa livre pra gente andar sem roupa por aí. Tenho seus cigarros preferidos. Aqueles que eu odiava, e agora não vivo sem. Tem aquele muro na frente do seu apartamento pedindo pra ser pintado. Pedindo pra eu ir lá e dizer isso tudo. Tenho tudo que eu deveria ter. Só não tem você.

domingo, 28 de julho de 2013

No começo ela era só.
Depois, continuou assim.
Fim.

domingo, 23 de junho de 2013

Sobre o Brasil ter "acordado"

Bom, decidi expressar minha opinião aqui porque não sou muito fã de fazer textos imensos no facebook, já que a maioria não lê. Eu fico realmente emocionada e feliz pelo que está acontecendo no nosso país. Sempre fui fã de lutas por direitos e me sinto honrada de participar de uma mobilização tão grande no país todo. A maior questão agora, é saber organizar tudo isso, e saber reivindicar o que queremos. O Brasil demorou séculos para sair de casa e ir mostrar para os governantes corruptos que estamos insatisfeitos, e não é pedindo o "fim da robalheira" que isso vai mudar num passe de mágica. Se tem alguém que espera que todos os ladrões que dirigem nosso país façam um pronunciamento dizendo que estão arrependidos e não farão mais isso, tenho um péssima notícia: Não vai acontecer. A mudança não vai partir por parte de quem tem lucrado por anos com o dinheiro que o povo trabalhador sua para conseguir. A mudança vai partir de nós, nas próximas eleições, quando pararmos em frente à uma urna eletrônica e decidir quem vai tomar as decisões. Não adianta ir pra rua, pintar a cara, se vendermos nossos votos por empregos, vantagens, ou um par de botas. A democracia deve ser exercida pelo bem geral, e não pessoal. Não existe espaço para egoístas na democracia. Uma polêmica que tem acontecido entre os protestos, é a participação de partidos nos manifestos. Sou COMPLETAMENTE contra quem barra todo e qualquer manifestante partidário de ir pras ruas e lutar por seus direitos. Não existe democracia sem partido. Não adianta colocar todos no mesmo saco e rotular de "ladrões". Existem sim pessoas ruins em todos os partidos, como também existem pessoas boas. Barrar a participação deles, é tirar a liberdade de expressão, liberdade essa que lutamos à favor. Temos que saber distinguir os partidos que estão tentando tirar vantagem dessa mobilização tentando despontar como "líderes" e quem está lá defendendo um ideal. Alguém precisa nos representar, ou vocês esperam que todos nós, dezenas de milhares de brasileiros entrem no congresso e decidam numa votação o que deve ser feito? Um país sem partido, e além disso, contra os partidos, é um país fascista, um país ditador, e isso é completamente contrário aos ideais democráticos. Precisamos sim de partidos, e além disso, precisamos de senso crítico pra decidir quem merece nosso voto. A culpa não é dos políticos corruptos que estão lá em Brasília decidindo o que vão fazer de nós. A culpa é nossa, que coloca eles lá dentro. Então antes de julgar o outro, tente se lembrar em quem você votou e o que essa pessoa fez para merecer seu voto. Devemos e vamos continuar nas ruas pedindo e exigindo mais respeito, mas temos que mostrar essa insatisfação nas urnas. O direito de expressão é o maior bem que temos e não podemos jogar esse direito no lixo. O Brasil acordou mas ainda precisa tomar um rumo. Não sejam influenciáveis. Formem suas idéias, debatam, exponham seus pensamentos, chegue num acordo, não deixe de colocar na mesa suas intenções e pretensões. O Brasil precisa disso. Nós precisamos disso. E se soubermos usar o poder que temos (que é imenso), podemos mudar esse estereótipo de um país de governantes corruptos.

Saímos do luto e fomos para a luta.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Engula a gula.
Engula guela à dentro.
Empurra guela à fora.
A gula emburra e berra.
A gula grita e chora.
A gula enfia guela à dentro.
E a culpa coloca guela à fora.
Engula o berro, engula o grito,
Engula tudo e mais um pouco disso.
Engula tudo que quiser e puder
E depois jogue fora.
Engula a gula e vá embora.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Não adianta nada eu te afastar de mim, se toda noite, quando eu durmo, seu rosto e seus beijos vêm me torturar.

Vai e leva embora todo o amor que um dia você me deu. Não aguento mais essa tortura.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Amnésia Voluntária

Ainda tem quem me pergunte de você. E aí vai por água abaixo todo  o meu exercício diário de te apagar de mim. Ainda tem quem me pergunte de você, e eu tento não me perguntar o mesmo. Seu rosto me vem à memória e meu estômago embrulha, minha cabeça dói. Eu sinto um ódio mortal. De você? De mim? Não sei. Só sei que sua existência me assombra, e cada mísera lembrança sua me derruba. Ainda não cicatrizou. Ainda não passou a dor. Ainda não passou o amor? Ainda tem quem me pergunte de você e eu respondo indiferente "Quem? Ah, sim! Não sei. Não me interessa". E cada dia mais eu te mato dentro de mim. Dia após dia, seu assassinato ronda meus pensamentos, como se de alguma forma eu pudesse simplesmente te deletar, te excluir. Te superar. Ainda tem quem me pergunte de nós. Há quanto não existe o "nós"? Eu me perdi no tempo e não quis que ninguém ajudasse a me achar. Ainda tem seu cheiro naquela blusa. Na verdade, não tem não, porque de tanto eu usar, foi inevitável ter que lavá-la, mas eu prefiro acreditar que tem e que eu ainda posso te sentir quando uso ela. Por mais errado que isso seja, e é. Ainda tem que me pergunte de você, mas... Eu não sei. Nem de você, nem de mim.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Espero que seja assim.
Que todo seu caminho te leve pra longe de mim.

Fim.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

I died a hundred times.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mãe


Ouvi dizer que eles vieram te ligar.
Disseram que eu não vou bem.
E podem querer me trancar.

Mãe
Ouvi falar que percebeu o meu choro.
Que ouviu quando quebrei o porta retrato.
Mas não me ouviu pedir socorro.

Mãe
Ouvi por aí que você andou reparando,
Que talvez não sejam só arranhões.
E que eu talvez eu esteja mesmo piorando.

Mãe
Está tudo bem.
O investimento tem surtido efeito.
Só me diz se a atenção deveria soar como culpa,
E se acordar devia doer desse jeito.

Mãe
Está tudo bem.
E eu entendo seu desgosto.
Também sinto isso quando vejo no espelho
Meu rosto.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Olha só como tudo aqui dentro esfriou de vez. Olha só, como o céu lá fora parece cinza e nublado - ou são só meus olhos que se acostumaram e só enxergam assim? -. Olha como eu estava me refazendo, me reerguendo, me segurando até você chegar. Olha só como eu fiquei. Olha bem e diz de quem foi a culpa. Pois eu te digo, foi minha. Que de tanto te machucar, me machuquei. Agora olha bem e me diz, o que eu faço com esse resto de nada, com esse monte de tudo que sobrou. Me diz o que eu faço quando o que deveria doer não dói e o que deveria acalentar, mata.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Melancolia Diária

Me sinto melancólica e antiquada. Melancolicamente vazia.Antiquadamente ridícula. Já faz um tempo que me sinto assim, uns dias... Ou anos, não sei. As vezes eu sinto que as coisas acontecem em câmera lenta pra mim. As vezes parece que tudo acontece em alta definição e eu fico aqui, em preto e branco, chiando e falhando. Parece que eu não faço mais parte disso tudo. Parece que minha dor não faz mais sentido nos dias de hoje. Não que eu me importe. Não me importo. Vivo alheia à tudo. Se fingem que eu não existo, tudo bem pra mim fingir que todo o resto não existe. Eu vou simplesmente me sentar aqui, acender um cigarro, deixar o Chico tocando na vitrola, enquanto o tempo passa e eu fico aqui, melancolicamente antiquada. Antiquadamente me matando.

De manhã faz frio.
De tarde faz calor.
E de noite dá medo.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Os remédios não fazem mais efeito.
O cigarro não deixa mais nem cheiro.
Minhas forças foram parar num bueiro.
E eu nem durmo mais.

Eu não lembro mais onde é minha casa.
No rádio nenhuma música tem graça.
O relógio funciona mas a hora não passa.
E eu nem durmo mais.

Parece que o mundo está girando ao contrário.
Parece que eu não faço mais parte do cenário.
A calma se tornou mais um item do meu relicário.
Sair da cama é meu tormento diário.
E olha que eu nem durmo mais.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Assombração

Eu quero desenhar escrito. Quero imprimir nos muros da rua qualquer coisa que te faça lembrar de mim. Quero bater na sua porta só pra solidão se fazer presente. Eu quero te ligar pra dizer que eu já não ligo mais. Eu quero tocar nossa música na sua janela, só pra tirar seu sono. Já que você tirou o meu. Já que te tiraram de mim. Eu quero que no caminho do seu trabalho você cruze com alguém parecida comigo e que no ônibus sente alguém do seu lado com o mesmo perfume que eu uso. Usava, joguei fora. Eu quero que na televisão passe aquele filme horrível que nós tentamos ver juntos não conseguimos. Mas você vai conseguir. Eu realmente quero que sua vizinha chata pergunte porque eu nunca mais apareci, e que pareça que seu travesseiro nunca mais foi o mesmo sem o cheiro do meu cabelo grudado nele. Eu quero que quando você estiver com ela, você esteja pensando em mim. Você sempre vai estar pensando em mim. Eu quero estar presente no seu dia todo, todos os dias. Quero assombrar cada momento seu. Por puro tédio. Por pura vontade de atormentar. Por puro prazer em destruir.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Outono

Sentei ali naquele banco frio. A praça estava toda vazia. Nas tardes quentes, ela costuma ficar cheia de crianças, correndo de um lado pro outro, gritando e pulando, mas hoje está tudo frio. O vento era minha única companhia ali. Eu sentei e antes mesmo que eu pudesse notar, vi que uma única e mísera lágrima caiu do meu olho. Foi a primeira lágrima de meses. Dentro dela tinha tudo que eu vi e fingi não ver. Tudo que eu ouvi e preferia não ter ouvido. Tudo que eu senti e não deveria ter sentido. De repente eu senti que poderia colocar todos os meus sentimentos empoleiradinhos na cabeça de um alfinete. De tão apertados que eles estão. Eu senti que pouco a pouco eles foram perdendo espaço e eu não sei o que fazer com tanta coisa e tão pouco lugar. Tanta coisa em tão pouco tempo. Eu me senti sufocar. Eu sucumbi à tudo aquilo que evitei e vacilei. Caí da corda. E a regra é clara, quem cai, volta ao começo. De repente eu senti que tudo que eu mais queria, era não sentir. E eu estava lá, sentada naquele banco frio. Sozinha.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Todas as vezes que eu me encontrei, me entendi, eu fugi de mim. Sempre que eu me refiz, sempre que eu me consertei, sempre que eu me senti completa, não por ter achado quem me completasse, mas por achar em mim o que faltava, eu conseguir me desfazer, me despedaçar, me destruir. Sempre eu. Minha maior inimiga. Eu sou fraca demais. Deixo que as pessoas decidam pra mim e depois quero culpá-las. Mas é de quem a culpa, se não minha? Minha culpa, por nunca saber aproveitar a minha companhia. Minha culpa por achar que eu só vou estar completa quando tiver quem me complete. Eu não nasci presa em ninguém! Eu não preciso de ninguém pra me sentir completa! Mas mesmo assim, eu procuro alguém que decida por mim, que opine por mim, e que me diga o que eu estou sentindo e quando estou sentindo. Isso tudo pra não ter que lidar com o fato de eu sou responsável pelos meus atos e que posso fazer o que eu bem entender. Eu me perco com possibilidades. Eu não sei lidar com a liberdade.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A fumaça afasta as idéias e esquenta o frio de dentro. A garganta arranhando dói menos que o resto. A brasa queimando devagar distrai os olhos e a cabeça. O pedaço de papel e fumo entre os dedos ocupa as mãos. Mãos que criaram o hábito de te segurar. Mãos que criaram o hábito de sempre ter entre elas algo que vá acabar comigo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Onze quilos de sentimento

Eu tenho uma estranha paixão por girafas. Desde sempre foi meu animal preferido. Enquanto escolhiam o leão por ser o mais forte, ou a águia por ser a mais esperta, eu simplesmente escolhia a girafa, porque... Sim. Eu sempre me identifiquei com elas. Acho que é um animal graciosamente desengonçado. A girafa é aquele animal que ninguém nunca vai pensar em ter medo, aparentemente indefeso, bobalhão. Aparentemente. Durante muito tempo, achavam que as girafas eram mudas, pois elas não emitiam som algum, e só depois descobriram que elas podiam ser emitir sons, mas só o fazia quando achavam necessário. Esses dias me contaram uma coisa interessante sobre as girafas. O coração delas é o maior de todos os animais, e pode chegar a pesar onze quilos. O motivo disso é seu imenso pescoço. Ela precisa de uma coração forte para bobear sangue até seu cérebro. Eu como boa pensadora que julgo -e apenas julgo- ser, fui filosofar sobre. Sendo a girafa o animal com o maior e mais forte coração que se conhece até hoje, ela é também o animal que tem o coração mais difícil de amolecer. O mais difícil de alcançar. E quando é alcançado, ele é todo amor. Todo entregue. É o maior coração entregue que se conhece. E quando é ferido, é o maior coração ferido que se conhece. Onze quilos de amor, ou onze quilos de dor. Onze quilos de sentimento. É coisa demais. A girafa vive de extremos. Cabeça no céu e os pés no chão. Um coração imenso e inteiro amor, ou dor.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval é todo dia

O carnaval chegou. E eu, que todo ano ficava sentada, emburrada, em frente à tv, falando mal de todo esse dinheiro gasto a toa, de toda essa vulgaridade sem próposito, e de toda essa irresponsabilidade bêbada, me vesti de purpurina e fui pra rua. Eu que sempre achei que tanto dinheiro gasto em pedras, plumas e paêtes seria muito melhor aproveitado em escolas e hospitais, pintei a cara e segui o bloco. Não que eu tenha mudado de idéia quanto à isso. Tanto dinheiro teria sim, fins muito mais proveitosos e duradouros. Mas não tem. O brasileiro não sabe viver à base de seriedade. O brasileiro não sabe viver sem a festa da bunda de fora. O que é outro rótulo errado. Falar que o carnaval é a festa da bunda de fora, é generalizar. É julgar pelo que se vê na tv, desfilando na Sapucaí. Vai pra rua e vê a quantidade de criança fantasia jogando confete pro alto tem lá. Vai ver quanta gente idosa não fica jovem cantando marchinha na rua. Vai na rua, e vê quanta gente esperou um ano todo pra poder ser quem sempre quis, de salto e batom, de peruca e brilho, de sorriso e amor. O carnaval chegou e passou, e eu cheguei à uma conclusão. Não dá pra esperar um feriado no ano pra ser quem você é. Pra aproveitar o tem que ser aproveitado. Carnaval é todo dia.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Compro Inspiração

Eu vou surtar se eu não puder sujar de tinta tudo o que eu quero. Eu vou surtar enquanto eu não conseguir colocar no papel aquela imagem que está na minha cabeça há semanas. Eu vou pirar se eu não puder deitar na minha cama, toda suja, exausta, mas com uma pintura nova na parede. Eu vou simplesmente explodir se eu não tiver mais nenhuma roupa pra cortar, nenhuma tinta pra pintar o cabelo, ou nenhum livro pra ler. Eu vou sair do sério se eu não tiver com o que ocupar minha cabeça à cada segundo. Eu preciso de novidade. Eu preciso ter o que fazer. Eu preciso fazer o que eu quero. Eu preciso de tudo que eu posso ter. Eu preciso de inspiração e coragem.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais. Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes, ler mais. Sair mais. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinho, quero ter momentos de paz. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Quero ser feliz, quero sossego. Quero me olhar mais. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais. Não quero esperar mais. Quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero ousar mais. Experimentar mais. Quero menos ”mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Fernando Pessoa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Feliz Ano Novo



Você me perguntou “O que você quer pra esse ano?”. Eu pensei numas mil coisas pra falar. A maioria delas você não ia entender. Eu poderia falar que queria passar de ano na escola, que queria um emprego bom, que queria um amor pra vida toda, ou ganhar na loteria. As ondas quebravam e a água molhava os meus pés. “O que você quer pra esse ano?”. Eu poderia querer um carro, uma moto, uma casa, um corpo sarado ou só um tênis novo. Seu sorriso despreocupado me deixava boba “Qualquer coisa. Tem que ter alguma coisa.”.  Eu poderia dizer que queria que aquela noite não acabasse mais, ou que todos os meus dias fossem como aquele. Eu pensei em muita coisa, das quais nenhuma delas eu realmente queria. Então, com vergonha por ser tão simplória, respondi “Eu só quero ficar bem.”.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eu não fui criança. Eu não soube criança. Eu passei minha infância toda agindo e pensando como adulta. E hoje não dá mais tempo de tentar ser criança de novo.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O Sonho de Ícaro

Sabe, eu queria ser um pássaro. Acho que o ócio nos faz perceber certas coisas que antes passavam despercebidas, e os últimos tempos eu tenho pensado em como seria bom se eu fosse um pássaro. Qualquer pássaro. Eu não faria questão nenhuma de ser uma bela e imponente águia. Eu seria tranquilamente   um pombo, uma andorinha, um canário, um quero quero, até mesmo um urubu, desde que eu fosse um pássaro. Deve ser tão boa a liberdade de voar. Deve ser tão incrível o poder de alcançar vôos e mais vôos. O poder de planar, de sentir o vento levando... Pensando bem, eu queria ser qualquer animal que voasse. Qualquer um. Eu poderia ser um besouro, grande e desajeitado. Ou uma mosquinha, dessas que vive um dia só. Eu poderia perfeitamente ser uma libélula, um inseto incrivelmente gracioso. Melhor! Eu poderia ser um vagalume! Ah, como eu adoraria ser um vagalume, ter minha luz, meu brilho, ser um pequeno farol na escuridão. Falando assim eu me sinto um pouco como Ícaro, da mitologia grega. Muitos não sabem a história dele, e se não sabem, recomendo ouvir a música Sonho de Ícaro, que eu particularmente acho linda. Quando eu era pequena, eu não gostava de ouvir ela. A achava muito triste. Mas hoje, eu não ligaria de terminar minha vida como Ícaro. Não ligaria de morrer por um sonho meu. E sabe do que mais? Está decidido. Eu queria ser uma borboleta. Queria poder mudar de forma, queria pouco a pouco, ir me transformando no que eu sempre sonhei em ser. Queria ter o meu tempo pra me reinventar e quando eu estivesse pronta, sair para voar. Clichê, não é? Muito. Mas a vida é um clichê, meu caro.