domingo, 2 de dezembro de 2012

Apenas mais um dia normal

O despertador tocou. Aquele som de vibracal me irrita profundamente. O primeiro pensamento que passa pela minha cabeça é "De novo não...". Eu levanto, quase me arrastando, e lá vou eu. Me arrumo com a animação de mil preguiças, tomo um gole de café, café esse que há tempos não é tão bom quanto eu me lembrava. Na televisão uma mulher diz que a temperatura é de 20ºC. Não está frio, mas eu simplesmente não consigo sair de casa sem um moleton. Me empurro pra fora de casa, andando desanimada, torcendo pra que algo me impeça de ir à escola. Me sento no ponto de ônibus. Pessoas indo para o trabalho conversam sobre amenidades desnecessárias. Não bastava ter que sair do conforto da minha cama, em minutos eu estaria dentro de um ônibus lotado, com pessoas falando alto, e uma música de mal gosto tocando no fundo. De repente, uma névoa densa e gelada começou a surgir do nada, nesse momento eu pensei "Que bom que eu trouxe blusa de frio." Eu gosto de névoa, acho que deixa um ar melancólico. Mas ela foi ficando mais e mais densa, como se tivessem jogado gelo seco no ar. A visão começou a ficar comprometida, e eu só conseguia enxergar vultos. As pessoas pareciam não perceber e continuavam conversando sobre besteiras. Parecia que só eu via aquilo. De repente, de uma nuvem à minha frente, surgiu um vulto, um vulto imenso. Eu continuei procurando na expressão das pessoas à minha volta algum resquício de surpresa com aquela aparição, mas eu não conseguia enxergar seus rostos. Foi então que eu ouvi. Aquela monstruosidade estava falando comigo. "Você nunca imaginou que tudo isso terminaria assim, imaginou? Você que queria o fim, seja pelo meio que for, nunca imaginou que eu viria te buscar pessoalmente, não é? Você nem mesmo acreditava em mim." Era uma voz rouca. Aquilo, seja o que fosse, não estava gritando, estava falando com calma, com paciência, quase com um certo prazer em dizer essas palavras. E estendendo a mão em minha direção, imensa, com unhas pontiagudas, continuou "Vamos, não torne as coisas difíceis. Venha comigo." Eu não entendia nada, mas parecia que eu estava na presença dela. De repente, tudo se apagou. As pessoas (ou os vultos), o ponto de ônibus, a rua, as casas, tudo desapareceu. Eu sentia que sabia o que devia fazer. Estendi minha mão em direção à dela, senti sua pele gelada, mas macia se encontrar com a minha. Pude a ouvir sussurrar "Muito bem, minha menina." Então, num estalo, vibracal. 6:00 hrs. "De novo não..."

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