sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A carta

Hoje eu quis escrever uma carta. Uma carta que contasse tudo, tudo aquilo que eu nunca falei pra ninguém. Tudo que eu fiz de certo e de errado. Tudo que eu pensei, imaginei, quis ou deixei de querer. Eu ia escrever uma carta e mandar pra um lugar bem longe. Um lugar qualquer, com um endereço aleatório que eu tivesse achado no catálogo telofônico. Eu contaria pra essa pessoa que eu nunca nem pensei em conhecer tudo o que me dói, tudo o que me confunde, tudo o que me deixa desesperada. Eu não esperaria uma carta de volta com uma resposta milagrosa, me dizendo o que fazer pra ser feliz. Na verdade eu não esperaria nada. Seria simplesmente pela sensação de poder colocar tudo pra fora. Poder dividir isso tudo com alguém, que não viesse me julgar por qualquer outra coisa que eu já tivesse feito. Eu até cheguei a escrever essa carta. Só que na hora de escolher pra onde mandar, tudo o que me veio à cabeça foi mandar pra você. Aí eu decidir rasgar ela e deixar as coisas como estão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário