quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"Estranho é o deserto dentro de ti."

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A carta

Hoje eu quis escrever uma carta. Uma carta que contasse tudo, tudo aquilo que eu nunca falei pra ninguém. Tudo que eu fiz de certo e de errado. Tudo que eu pensei, imaginei, quis ou deixei de querer. Eu ia escrever uma carta e mandar pra um lugar bem longe. Um lugar qualquer, com um endereço aleatório que eu tivesse achado no catálogo telofônico. Eu contaria pra essa pessoa que eu nunca nem pensei em conhecer tudo o que me dói, tudo o que me confunde, tudo o que me deixa desesperada. Eu não esperaria uma carta de volta com uma resposta milagrosa, me dizendo o que fazer pra ser feliz. Na verdade eu não esperaria nada. Seria simplesmente pela sensação de poder colocar tudo pra fora. Poder dividir isso tudo com alguém, que não viesse me julgar por qualquer outra coisa que eu já tivesse feito. Eu até cheguei a escrever essa carta. Só que na hora de escolher pra onde mandar, tudo o que me veio à cabeça foi mandar pra você. Aí eu decidir rasgar ela e deixar as coisas como estão.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sempre foi tudo tão confuso pra mim. Tinha vezes que doía. Era tão intenso, tão profundo, que machucava, uma dor boa, que me fazia ter vontade de explodir. Também tiveram vezes de ser suave. Que eu me sentia segura, confortável, à salvo de tudo e de todos. Outras vezes doía de um jeito ruim, de um jeito possessivo e destrutivo, vezes que eu tinha raiva de mim mesma. Tinha horas em que não sentia. No sentido mais literal que pode existir. Eu não sentia nada e só queria fugir. E durante esse tempo, toda essa eternidade, em que ora eu me sentia de um jeito, ora de outro, toda essa indecisão me consumiu. Durante isso tudo, todo esse desespero, essa urgência de saber o que fazer, me deixou sem forças. Porque por uma vez, uma mísera vez, eu queria saber o que eu quero.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O problema não é dizer oi. Não é nem nunca vai ser. Não vai ser problema inventar um assunto qualquer, fingir que tenho algo de importante pra falar, e no final acabar naquela mesma monotonia que eu fugi. Os começos, em tudo na vida, são inacreditávelmente bons, seja com o que for. O problema são os fins. Terminar é sempre ruim. Sempre dói. Isso com qualquer coisa. Mudar de idéia sobre algo que você sempre teve certeza, é péssimo. Sair de algo que você tanto lutou pra entrar é complicado. Sempre tem aquela sensação "eu preferia que nada disso tivesse acontecido". E eu preferia mesmo. Dar um fim no começo pode ser bem menos doloroso, pra todo mundo. Seria mais fácil se tudo tivesse acabado antes de começar. Tudo mesmo. Até eu.