segunda-feira, 30 de julho de 2012

Dormia demais. E estava sempre cansada. Falava demais. E sempre tinha algo que não podia dizer. Pensava demais. Nada que prestava. Lia demais. E poderia ler mais ainda. Ouvia música demais. E se imaginava cantando cada uma delas. Comia demais [o espelho foi quem disse]. E sempre estava com fome. Chorava demais. E quando achava que as lágrimas tinham acabado, lá vinham elas de novo.Gritava demais. Ela estava pedindo silêncio. Sonhava demais. Com tudo que não ia acontecer. Desejava demais. Desejava o fim.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A desnecessariedade das coisas

Desnecessariedade é uma palavra que não existe. Mas tanto faz. A gente sofre por tantas outras coisas que também não existem. Coisa completamente desnecessárias.

Sobre a ansiedade

Olho no relógio.
19:37.
Vou até a cozinha, abro a geladeira.
Não posso comer.
Volto pro quarto.
Tocar violão?
Não.
Penso numas mil coisas em um segundo.
Começo a bater os pés no chão,
No ritmo de uma maldita música qualquer.
Meio minuto depois, eu já estou num ritmo tão acelerado,
Que minhas pernas não podem mais aguentar.
Olho no espelho.
Tudo igual.
Volto pro quarto.
Volto pra cozinha.
Volto pro quarto.
Decido ler.
Não tenho o que ler.
Não tem filme nenhum pra ver.
Não tem nada na televisão.
Nunca tem.
Paro.
Respiro.
Olho no relógio.
19:38.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Lucidez Indesejada


Ah, eu tenho tanto tempo, nesse intervalo entre o tédio e a melancolia. Nesse espaço de madrugada em que eu já fiz tudo que eu tinha pra fazer, tudo que eu queria e não queria fazer. Mas esse tempo me deixa louca.  Essa angústia, essa ansiedade... É aí que o tic tac do relógio parece furar meus tímpanos. As vozes na rua, tão felizes, tão acordadas... E tão ocupadas. A respiração vinda do quarto ao lado me faz beirar a loucura. Isso quando não são aqueles outros barulhos. Aqueles que eu sei que não existem, aqueles que eu prefiro nem falar. Tudo isso me consome, tudo isso me corrói. Todo esse tempo vago me faz cair no que eu mais tenho evitado: Pensar. Pensar me maltrata. Se existe algo que eu sempre digo é “Ignorância é um dom”. E é. Pensar traz certezas aniquiladoras. E dúvidas mais aniquiladoras ainda. Pensar te tira da zona de conforto de simplesmente deixar o tempo fazer seu papel, e te faz cair na realidade de que não há nada que vá mudar isso, seja lá que ‘isso’ seja ele. O tempo anda com a péssima mania de piorar tudo.  E tudo parece sem saída. Então, o destino da vida se cumpre. São os ignorantes [uma pequena parcela] buscando lucidez, e os lúcidos, se afogando em vícios, pra deixar de pensar e dormir em paz. Um comprimido, e boa noite mundo.

domingo, 15 de julho de 2012

Paródia da Vida

O tempo passou.
[E olha que às vezes ele não passa.]
O tempo mudou.
[E mesmo assim eu sinto frio.]
As cores desbotaram.
[E tudo ficou assim, meio cinza.]
As discos arranharam.
[E eu continuo os escutando.]
Eu já li todos os livros que eu tinha.
[E todo o resto parece ruim.]
Amanheceu.
[E eu ainda não dormi.]
De novo.


sábado, 7 de julho de 2012

É como se o mundo rodasse,
E eu tivesse que ficar parada, assistindo.
Como se minha vida fosse um livro,
Que quem quiser pode escrever,
Menos eu.
É como se eu não tivesse controle de nada.
Como se eu nem quisesse.
E eu nem quero.
Só quero que o som acabe.
Que tudo vire um filme mudo.
Que tudo vire meu.
Meu livro, onde os personagens falam.
Eles falam sem som.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Eu tô cansada de estar cansada, de tudo. Eu só quero não estar, um pouco, pra tudo.