sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Sr. Tempo pt. II

O Tempo não existe. O Tempo foi criado por quem sentia a necessidade de se organizar. Foi uma boa idéia. Se não tivesse saído do controle. Nós perdemos o controle do Tempo e o Tempo nos controla. Nós aprendemos a contar quantos segundos tem um minuto, quantos minutos tem as horas e quantas horas tem uma vida. Nós gastamos nossa vida cronometrando nossos atos, pensando em como ganhar Tempo, pra ter mais Tempo sobrando, pra pensar em como poupar Tempo. E aí tudo é corrido. Tudo é criado pra acabar. Tudo tem data de validade e não ouse a discordar. O Tempo é cruel. Ele manipula cada mísera vida de perto e sabe muito bem quando deve voar e quando deve se arrastar. Quando ele deve apagar e quando ele deve evidenciar. O Tempo não perdoa. Temos um padrão a seguir. Vivemos em função do horário de Brasília. E a prova de que o Tempo não existe, e que se faz dele o que bem quiser [desde que você tenha uma boa explicação (ou não)] é que existe o horário de verão. Pessoas simplesmente decidiram um belo dia, que todo mundo ia fazer tudo uma hora mais cedo, ter que conviver e se acostumar com isso, e depois elas voltam o tempo pro "normal".  Bom, isso são só idéias avulsas que me ocorreram depois de me questionarem sobre "Como o Tempo passa pra mim". Eu não soube explicar direito. Não mesmo. Só tive como expressar meu único desejo no momento: Tempo, passe. Corra. Voe.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eu ia te contar. Não contar, você já sabe. Mas eu precisava conversar. E eu ia falar. Mas você estava tão animado. Com tudo. Tudo era motivo pra você se impressionar, rir, ou achar bonito. E eu só via, e concordava. Eu ia te falar. Do medo que eu tenho de não conseguir falar. Do medo de que de tanto engolir as palavras um dia eu nunca mais consiga colocá-las pra fora. Do medo de ter medo de tudo. Eu ia te falar. Provavelmente ia chorar, e você não saberia dizer nada e diria que queria poder me abraçar. E eu imaginaria seu abraço, e as coisas ficariam um pouco melhores. Eu ia te falar. Ia gastar todas as palavras que eu ainda me lembro. Mas você estava tão animado, tão feliz. Seus olhos brilhavam por tão pouco. Como uma criança que ganha um pirulito, e só sabe falar nele durante horas, que eu desisti. Desisti de falar, e preferi te observar, ver seus olhos brilharem.

Ah

A música parou.
O bolo queimou.
O ônibus passou.
A tinta acabou.
As idéias também.
Eu fingi que estive aqui,
E todo mundo acreditou.
O sono veio.
Ele vem e vai,
Como quem brinca de balanço.
E todas essas coisas,
Tudo isso que acontece o tempo todo,
Tudo que não merece minha atenção
E eu a dou, por falta de opção,
Tudo isso, dói.
Tudo dói.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Você... Você esteve esperando. Não esteve? Eu não acharia isso de qualquer um, mas de você... De você sim. Agora é que eu percebi. Eu te fiz esperar. Não era minha intenção. E que burra eu, perceber isso só agora. Eu te fiz esperar, não é? E não cumpri minha palavra. De novo. Eu não achei que nada disso pudesse acontecer. Maldita hora em que achei que pudesse voltar no tempo. Você... Você esteve esperando! E eu só percebi agora.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Engraçado, quando você se priva de tudo, o tempo todo, chega um dia que automaticamente quando você sente aquela vontade de falar, aquela vontade de deixar tudo nos eixos, ou pelo menos tentar, vem uma voz dentro da sua cabeça que te diz: "Não. Não fala. Ninguém quer saber. Ninguém vai te ouvir. Vai dar tudo errado, de novo." Aí você só acena e sorri. Só acena e sorri.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Silêncio de tudo.
Barulho de nada.

Barulho de tudo.
Silêncio de nada.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Eu sumi.
Sumi de tudo.
Sumi de todos.
Sumi pra quem quisesse me achar,
Mesmo que não devesse.
Sumi pra tudo que me exigia força.
Força que eu perdi faz tempo.
Sumi pro que eu gostava.
Desisti de fracassar.
Me limito a não tentar.
Sumi de tanta coisa,
Que eu nem me lembro mais.
Eu fechei os olhos,
E preferi sumir.
Preferi desaparecer.
Preferi ser esquecida.
Preferi esquecer.
Preferi não falar,
Com medo de não parar.
Preferi não me abrir,
Com medo de que o pouco que
Ainda guardo aqui fuja.
Preferi deixar de ser eu.
Já que fui eu a culpada de tudo.
Sempre.
Eu sumi de tanta coisa,
Que se algum dia, eu quiser me achar,
Não vou conseguir.