domingo, 18 de março de 2012

Era uma vez uma menina triste. Antes ela tinha motivos pra ficar triste, agora é da natureza dela. Ela sempre foi uma pessoa sociável, engraçada, extrovertida. Mas de uns tempos pra cá, isso vem mudando. Ela se afastou do mundo real. Preferiu trocar os amigos, ou o que ela pensava que fossem amigos, por sonhos, desenhos, canções. Ela que não parava de falar, agora reza pra não perguntarem sua opinião. Não que ela não tenha opinião. Ela tem, e muitas vezes é até algo bem interessante. Mas falar passou a ser algo cansativo pra ela. As idéias revolucionárias que ela tinha eram realmente muito boas, porém ela não tinha forças pra colocar em prática, então ela perdeu o hábito de falar. E por não falar nada, com ninguém, ela acabou tendo mais tempo pra pensar. Pensava sobre tudo. Desde coisas fúteis e supérfluas como coisas importantes e realmente relevantes. E de tanto pensar ficou louca. De tanto pensar viu contradição em tudo. De tanto pensar viu o quanto a ignorância é uma doença sem cura que se alastra pela sociedade e ainda é tida como algo normal. De tanto pensar viu que sua rotina era um ciclo ridículo e vicioso e que no final das contas ela só fazia as coisas pra cumprir tabela e agradar os outros. E foi assim, que de tanto pensar, ela chegou a conclusão de que não vale a pena sair da cama. Cama essa na qual estou, a menina triste que vos fala.

Nenhum comentário:

Postar um comentário