terça-feira, 27 de março de 2012

Ontem revirei tudo o que eu tinha.
Página por página.
Numa procura inútil por algo
Que nem lembro se existe.

Procurei pelo que não existia,
E achei o que existiu.
A brisa do passado que sempre
Me sopra o rosto
Quando abro um livro ou outro.

Não direi das músicas,
Que melhor não existe pra trazer
O que não devia.

Revirei tudo em busca de algo pra falar.
Uma frase bonita de um poeta qualquer.
Minha intenção era plagiar.
Já que me falta a criatividade
Pra me expressar com a melancolia
Que julgo ser necessária.
Revirei e não achei.

Achei as moças formosas
De bochechas vermelhas de sempre.
Achei contos sobre viagens,
Desencontros, sobre o tédio e sobre política.
Achei aquele poema sobre o vestido.
Achei tudo... E nada.

Então me achei aqui.
"[...] que por minha vez escrevo, dissipo."

sexta-feira, 23 de março de 2012

A prisão legal

Saindo dos padrões - e que padrões - dos textos desse blog, hoje decidi postar uma opinião. Uma opinião que me veio à cabeça antes das 7 da manhã. Logo de cara, algo que acontece antes das 7 da manhã não pode prestar, mas vamos à ela. Estava eu num ônibus, indo pra escola às 6:50 da madrugada, e me perguntei "Porque eu tenho que estudar?". Que aluno nunca se perguntou em que usaria polinômios e fórmulas no dia-a-dia? Que aluno nunca disse que o necessário é só o 2+2 e o 2 x 2 ? E aí os professores tem todo aquele discurso de que vai ser necessário sim, etc etc. Mas eu pensei, e pra mim ficou claro que não, eu não vou precisar de nada disso. Pergunte pra uma pessoa de mais de 30 anos que completou o ensino médio se ela se lembra de alguma regra matemática que foge da soma, subtração, multiplicação e divisão. Ela não vai se lembrar, a não ser que trabalhe numa área relacionada a isso. A escola é um teste pelo qual você tem que passar pra entrar no "mundo adulto". É uma prisão que é bem vista pela sociedade que te impõe regras e te "ensina" a viver em grupo. Numa entrevista de emprego para vendedor, ele não quer saber se você é bom em física. Ele quer saber se você entregou seus trabalhos em dia, respeitou seus colegas e professores e cumpriu horários. Tanto faz o que você estudou, ele quer saber como você se sai trabalhando sobre pressão. Agora vá numa entrevista de emprego, você tem ensino médio completo e não se lembra de uma mísera palavra que algum professor disse, e está competindo com uma pessoa que só estudou até a 8ª série e também não se lembra de nada além do essencial. Quem fica com o emprego? Você. E não é porque você sabe mais do que ele. É porque você sobreviveu mais tempo dentro da escola - que pra muitos pode ser o inferno, por vários motivos-. Isso sem falar nos professores, que não tem culpa de absolutamente nada e estão fazendo seu trabalho muito dignamente e são tratados como lixo, tendo que conviver com crianças e adolescentes sem limites, que recebem o mundo nas mãos pelos pais que acham que quem educa é a escola, ganhando uma esmola. Resumindo, depois de prestar uma faculdade, fazer um concurso, ou uma prova qualquer, a escola [ou o tempo que julgam ser necessário você frequentá-la] é e sempre foi forma de te colocar nos padrões sociais enquanto sua mente ainda não teve tempo pra funcionar sozinha.

domingo, 18 de março de 2012

Era uma vez uma menina triste. Antes ela tinha motivos pra ficar triste, agora é da natureza dela. Ela sempre foi uma pessoa sociável, engraçada, extrovertida. Mas de uns tempos pra cá, isso vem mudando. Ela se afastou do mundo real. Preferiu trocar os amigos, ou o que ela pensava que fossem amigos, por sonhos, desenhos, canções. Ela que não parava de falar, agora reza pra não perguntarem sua opinião. Não que ela não tenha opinião. Ela tem, e muitas vezes é até algo bem interessante. Mas falar passou a ser algo cansativo pra ela. As idéias revolucionárias que ela tinha eram realmente muito boas, porém ela não tinha forças pra colocar em prática, então ela perdeu o hábito de falar. E por não falar nada, com ninguém, ela acabou tendo mais tempo pra pensar. Pensava sobre tudo. Desde coisas fúteis e supérfluas como coisas importantes e realmente relevantes. E de tanto pensar ficou louca. De tanto pensar viu contradição em tudo. De tanto pensar viu o quanto a ignorância é uma doença sem cura que se alastra pela sociedade e ainda é tida como algo normal. De tanto pensar viu que sua rotina era um ciclo ridículo e vicioso e que no final das contas ela só fazia as coisas pra cumprir tabela e agradar os outros. E foi assim, que de tanto pensar, ela chegou a conclusão de que não vale a pena sair da cama. Cama essa na qual estou, a menina triste que vos fala.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Resumindo...

Que tal se pulássemos os meios, as reviravoltas, as idas e vindas e partíssemos pro final? Pra conclusão. Pouquíssimo me interessa saber por onde você passou pra chegar aqui, ou com quem você encontrou. Sua vida realmente não me interessa. Não sei, talvez funcione, vamos tentar assim, me diga o que está acontecendo, eu julgo se é verdade ou não e fantasio um desfecho cheio de histórias emocionantes, com lágrimas e sorrisos, e tudo que tiver direito. Mas agora, eu realmente não tenho tempo pra saber a verdade. E mesmo que tivesse. A verdade muitas vezes é simples demais. Não atinge nenhum objetivo, não justifica o fim. E aí que eu entro. No fim. Pra saber se tudo valeu a pena. Pra saber se ainda dá pra continuar. Tomei traumas dos "meios". Sempre me perguntavam "Mas o que aconteceu pra que você chegasse aqui?" e essa pergunta sempre me assombrou. Por isso prefiro os fins. São simples, óbvios, claros. Acho que prefiro que os fins, por não saber o que me trouxe aqui.

sábado, 10 de março de 2012

É como um labirinto.
Uma teia de aranha.
Um emaranhado de fios,
Sem fim.

Um poço sem fundo.
Um túnel sem luz,
Sem saída.

Tudo se perdeu
No momento em que começou.
E agora só resta esperar que acabe.
Não importa o que vá acabar.
Agora não interessa mais.
Desde que tenha fim.

sexta-feira, 9 de março de 2012

As cadeiras cantam, rangendo no chão me fazendo querer cometer um crime. E aqui dentro, enquanto tudo desmorora, cai por terra, estraçalha e despedaça, eu te sorrio.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Hoje mudei de ares, não muito por opção, mas acabei descobrindo um lugar até melhor pra estar. Mais arejado, mais vazio. Bom, completamnete vazio. Sentei no chão, parei uns minutos e percebi que a cena parecia depressiva demais pra quem visse, se houvesse alguém ali, e não é do meu feitio transparecer certas coisas. Levantei do chão e sentei num muro baixo perto de mim. O dia corria normalmente, até que eu decidi parar de passar pelas coisas, e quis olhar, observar, pra variar um pouco. Tudo parecia tão diferente do que eu "via" sempre. O sol brilhava forte, amarelo, mas não era aquele sol ardido, era calmo, aconchegante. A grama doía nos olhos de tão verde, parecia pintada à mão. O irrigador ligado, parecia jogar gotas de brilhantes na grama, fazendo doer ainda mais as vistas de tanta cor, tanto brilho, tanto contraste. As árvores balançavam com a brisa suave que passava por entre as folhas fazendo um barulho bom de ouvir. Quando vi naquilo tudo um quadro perfeito, ainda faltava o gran finale. Um vento mais forte passou por entre as árvores arrancando delas folhas amarelas e quase secas, que já estavam por cair, uma hora ou outra. Não lembro de ter visto cena mais simples e bonita nos últimos tempos. Só que a música que tocava ainda era triste.
Mania besta minha. Maltrata mas eu sei lidar. É que eu tenho um gosto -estranho diga-se de passagem- pelas torturas, pelas dores, pelos extremos. Quem inventou isso de "8 ou 80" certamente não passou um dia inteiro comigo, se não seria 8 ou ∞. E que diferença faz, pergunto eu? Sim, claro... Há quem sofra, ou melhor, houve quem sofreu. Hoje tudo isso é tido como "contornável" ou até charme. A única vítima disso continuo sendo eu, mas isso é o de menos. E é só não reagir. Não falar. Me manter caminhando e só deixar que a correnteza leve, que o sono apague. Eu só não gosto da insônia.