segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Capítulos de um diário ainda não escrito - IV

Acordei cansada. Torci pra que ainda fosse 3 da madrugada. Abri os olhos, tomada pela preguiça, 6:24 a.m. Hora de acordar. O corpo parece não obedecer a ordem do cérebro "Acorda, você vai se atrasar."

_Amor... Acorda... Tá na hora...

_Não tá não, eu acabei de fechar os olhos. Vem cá, dorme mais um pouquinho comigo.

_Não, a gente não pode dormir mais, acorda.

E como se não tivesse acabado de acordar, ele olha pra mim com o sorriso mais lindo do mundo, daqueles que dá vontade de correr uma maratona, ajudar velhinhas a atravessar uma pista de fórmula 1 e pintar todas as paredes do apartamento. Depois de escovar os dentes, escuto um barulho de algo caindo na cozinha. Decido ver o que é. Chegando lá, dou de cara com o chão cheio de pó de café, a torneira da pia aberta, e uma menininha com os olhos cheios d'agua.

_Desculpa mamãe, é que eu ouvi que você e o papai tinham acordado e eu queria fazer uma surpresa, mas quando peguei o pote de café, ele escorregou da minha mão e -já chorando- caiu tudo e eu fiz bagunça.

_Calma, calma meu amor, sem chorar. Olha pra mim, não precisa fazer surpresa assim pra mim e pro papai tá? Fazer café é perigoso. Mas você ainda quer fazer uma surpresa? Eu tenho uma idéia.

Sentei no chão com ela e começamos a fazer nossa surpresa. Eu sabia que iria me atrasar. Mas seria só hoje, que mal tem? Alguns minutos depois, ele sai do quarto falando:

_Amor, que foi que você ficou queita de uma pra outra, que barulho foi aquel.... -E nisso parou na porta da cozinha. Lá dentro, nós duas sentadas no chão, uma obra de arte de pó de café, escrito "Papai, nós te amamos." Nisso ele se sentou com a gente no chão, e nós beijando na testa falou- É lógico que eu amo vocês.

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