sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

É a culpa, só culpa. O sentimento mais simples e devastador. Que corrói, machuca, mata. É a culpa e só a culpa que consegue me tirar qualquer racionalidade. Pense em mim como uma grande piscina cheia de água. A água é o amor, a água é tudo que só o tempo pode construir. A culpa é a tinta, vermelha, sangrenta. Basta uma gota de culpa, uma mísera gota, pra manchar toda a água. E não importa quanto amor, quando felicidade, quanta lembrança boa esteja ali, a culpa vai manchar tudo. E de repente, tudo vai parecer melhor que minha água suja. Tudo vai parecer convidativo. Todo copo d’água vai parecer rio. Tudo a sua volta vai parecer mar. E eu vou ficar aqui, com minha piscina suja, com minha água sangrenta. Qualquer dia eu morro afogada.

Você estragou tudo

Um tempo atrás, achei um caderno de poemas e textos da minha mãe, coisa da época da faculdade. Eu vi muita coisa legal, e comecei a “roubar” os poemas dela. Mudava uma ou outra palavra e levava pra escola falando que tinha sido eu quem tinha escrito. As pessoas gostavam, falavam que eu escrevia bem, e por mais feliz que eu ficasse com isso, eu também ficava triste, por saber que não era eu quem escrevia. O tempo passou, eu parei de fazer isso. E um dia, eu me vi escrevendo um poema. No começo tava tudo muito estranho, sem nexo, realmente ruim. Eu fui tentando e um dia resolvi que estava bom. Mostrei pra uma amiga, ela gostou. Escrevi outro e mostrei pra ela. Ela gostou. Bom, a minha situação na época ajudava, eu estava tendo uma daquelas crises amorosas e todos os poemas e textos saíam melancólicos e profundos. O tempo passou e parecia que a vida queria que tudo que eu fosse escrever seguisse essa linha, porque tudo que eu conseguia passar pro papel era tristeza. Eu não sabia escrever sobre amor, felicidade, e coisas do tipo, mas não tinha com o que me preocupar, eu me via num buraco sem fundo. Só que você chegou. E acabou com meus planos de me tornar uma escritora mal amada e pouco conhecida, que virava noite escrevendo sobre as dores da vida. Hoje eu paro horas e horas tentando escrever algo, qualquer coisa que seja. E tudo que eu consigo é “Obrigada, por estragar meus planos.”

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A chuva e a lama.
O beijo e a cama.
O sonho e o real,
Perdidos entre palavras.

O pão e o café.
Seu sorriso numa manhã nublada.
O veneno e a cura.
A mordida e o assopro.
A chegada e a partida.


Você esteve aqui, e eu estive completa.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Capítulos de um diário ainda não escrito - IV

Acordei cansada. Torci pra que ainda fosse 3 da madrugada. Abri os olhos, tomada pela preguiça, 6:24 a.m. Hora de acordar. O corpo parece não obedecer a ordem do cérebro "Acorda, você vai se atrasar."

_Amor... Acorda... Tá na hora...

_Não tá não, eu acabei de fechar os olhos. Vem cá, dorme mais um pouquinho comigo.

_Não, a gente não pode dormir mais, acorda.

E como se não tivesse acabado de acordar, ele olha pra mim com o sorriso mais lindo do mundo, daqueles que dá vontade de correr uma maratona, ajudar velhinhas a atravessar uma pista de fórmula 1 e pintar todas as paredes do apartamento. Depois de escovar os dentes, escuto um barulho de algo caindo na cozinha. Decido ver o que é. Chegando lá, dou de cara com o chão cheio de pó de café, a torneira da pia aberta, e uma menininha com os olhos cheios d'agua.

_Desculpa mamãe, é que eu ouvi que você e o papai tinham acordado e eu queria fazer uma surpresa, mas quando peguei o pote de café, ele escorregou da minha mão e -já chorando- caiu tudo e eu fiz bagunça.

_Calma, calma meu amor, sem chorar. Olha pra mim, não precisa fazer surpresa assim pra mim e pro papai tá? Fazer café é perigoso. Mas você ainda quer fazer uma surpresa? Eu tenho uma idéia.

Sentei no chão com ela e começamos a fazer nossa surpresa. Eu sabia que iria me atrasar. Mas seria só hoje, que mal tem? Alguns minutos depois, ele sai do quarto falando:

_Amor, que foi que você ficou queita de uma pra outra, que barulho foi aquel.... -E nisso parou na porta da cozinha. Lá dentro, nós duas sentadas no chão, uma obra de arte de pó de café, escrito "Papai, nós te amamos." Nisso ele se sentou com a gente no chão, e nós beijando na testa falou- É lógico que eu amo vocês.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Quantas bocas amargas beijei?
Bocas amargas, vazias, perdidas, embriagadas.
Por quantas ruas escuras andei?
Noites escuras, manhãs escuras, dias confusos.
Quantas canções novas aprendi?
Canções de amor, horror, desprezo, angústia.
Quantos sonetos novos eu li?
De Intimidade, Fidelidade, Desesperança... Separação.
O quanto fui Dialética?
Quanto dispensei o amor?
Quanto tempo eu passei andando em círculos?
Não sei.
Mas continuo aqui.