segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Eu não quero mais isso tudo. Não quero mais ajuda. Não quero mais fazer isso por mim mesma. Eu preciso de alguém que me diga o que fazer. Preciso de alguém que guie meu passos, porque eu simplesmente não sei mais por onde andar. Eu não quero mais andar. Não quero mais tentar. Eu não vou conseguir sozinha.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Me tira daqui

Numa festa qualquer, numa noite qualquer, numa esquina qualquer:

- Oi... Tá tudo bem? Você parece meio...
- Deslocada. É, eu tô mesmo. Sabe aquela coisa de "Festa estranha com gente esquisita"? Pois é.
- Entendi... Bom, quer tomar alguma coisa?
- Quero, brigada.

Eles seguem pro bar, lá ele pede uma cerveja e pergunta o que ela vai querer:

- Vodka. Pura.

Ele se surpreendeu com a escolha. Uma garota como aquela, baixinha, loira dos olhos claros, não parecia ser como aquelas outras garotas fúteis que disputavam quem tinha o vestido menor, ou o salto mais alto.Na verdade ela não parecia pertencer aquela lugar, ela parece ter caído de paraquedas no lugar mais errado que podia ter no mundo. Ele ficou reparando nela, no jeito com que ela bebia a vodka como se fosse água, como ela olhava com um ar de desgosto pra todas aquelas pessoas, no olhar vazio que volta e meia se enchia d'agua. Eles ficaram em silêncio por alguns minutos. Até que ela vira pra ele, num movimento rápido e repentino e fala:

- Me tira daqui.

Ele meio sem entender, um pouco pelo som alto, e também por ter sido do nada, pergunta:

- Oi?
 -Me tira daqui. Agora. Por favor.
- Er... Tá, claro. Vamos.

E ele pega ela pela mão, e sai da boate, meio sem entender direito e sem saber pra onde estava indo. Quando saíram daquela multidão de jovens excessivamente felizes, ele pode olhar melhor pra ela, que parecia ainda mais linda.

- Você não me disse seu nome.
- Verdade... É Laís. E o seu?
- Caio. Bom Laís... Pra onde você quer ir?
- Não sei. Qualquer lugar que não tenha tanta gente e tanto barulho.
- Entendi... Acho que sei de um lugar. Vem, meu carro tá estacionado ali na frente.

Eles andaram um pouco e logo acharam o carro de Caio. O trajeto até o lugar onde eles estavam indo foi feito todo em silêncio. Caio estava curioso sobre Laís. Ele pensou que aquela seria mais uma noite normal, de ir para alguma boate, conhecer alguma menina sem graça pra passar a noite e voltaria sozinho pra casa, como sempre. Ele já nem se importava mais. Pouco tempo depois eles chegaram à porta de um edifício alto. Ele disse pra Laís que haviam chegado, e ela ficou um pouco receosa. Caio se defendeu à tempo.

- Não, eu não tô te levando pro meu apartamento pra gente transar. Relaxa, não sou esse tipo de cara.
- Bom saber, eu fiquei um pouco assustada. Mas enfim, já que estamos aqui, pra onde você vai me levar?
- Calma, já chegamos lá.

Eles entraram no prédio, e subiram de elevador até o terraço. A vista lá de cima era incrível. Eles podiam ver boa parte da cidade, ainda acesa, ainda acordada. O vento soprava forte, e bagunçava o cabelo de Laís que ainda estava extasiada com a vista.

- Que lugar lindo! Você mora nesse prédio?
- Moro. Na verdade eu fico mais tempo aqui em cima do que no meu apartamento. Eu trabalho muito e quando tenho um tempinho pra descançar, um tempo pra mim, eu venho pra cá.
- É realmente lindo. E... Me desculpa. Ter te tirado de lá, te pedido pra me tirar de lá, na verdade...
- Não. Tudo bem. Eu também não gosto muito daquele lugar. Vou lá mais por falta de opção. Mas... Me conta sobre você. O que tava fazendo lá?
- Não sei... Eu tava cansada de ficar em casa. Cansada do meu quarto, da minha vida. Aí decidi fazer uma coisa que eu não faria normalmente. Sair para uma boate onde só teria mulheres fúteis e caras idiotas.
- Ei! Eu não sou idiota!
- É, você não é. Ainda bem que você apareceu. Eu tava quase ficando louca ali.
- Que bom que você apareceu pra tornar minha noite mais interessante.

Laís parecia extasiada com aquela vista, com aquela altura. Ela não parava de olhar lá pra baixo e sussurava coisas aleatórias que Caio não entendeu. Ela começou a falar em voz alta, quase gritar.

- Aqui é tão alto! Tão aberto! A gente se sente tão livre, tão... Tão tranquilo! Sabe -nisso, ela olhou para Caio e ele pode ver que ela estava chorando- quando eu pedi pra você me tirar "daqui", eu não estava só falando da boate. Eu estava falando de mim. Me tira daqui! Me tira de dentro de mim! Me deixa ser outra pessoa!

Caio ficou assustado. Laís estava com um olhar vidrado, assustador.

-Calma... Laís, vem cá, fica calma, do que você está falando?
- Eu tô falando de mim! Eu não aguento mais ser eu! Não aguento mais ser tudo que eu sou. Não aguento não conseguir ser como todo mundo.
- Mas... Você não é como todo mundo! E isso é bom. É ótimo. Você é diferente de todas aquelas garotas idiotas que estavam naquele lugar.
- Mas eu não quero mais ser isso. Não quero mais ser eu. Não quero mais estar aqui.

E se sentou na mureta, com os pés para fora, soltos no ar.

- Sabe? Eu poderia voar. É, eu poderia mesmo. Voaria pra bem longe de tudo que me deixa mal. Voaria pra sempre.

Nisso, ficou em pé sobre a mureta. Caio estava sem saber o que fazer. Aquela garota tinha começado a falar coisas sem sentido e agora estava falando sobre voar, no alto de um prédio. Ele tentou interferir:

- Laís, sai daí, é perigoso, você pode acabar caindo. Vem, desce, vamos sair daqui.
- Não! Eu não quero sair! Eu quero voar. Quero deixar de ser eu. Quero sair daqui!

Falando isso, ela se jogou. Se jogou com um sorriso no rosto como se tivesse esperado a vida toda pra fazer aquilo. Como se tivesse esperando por aquela oportunidade o tempo todo. Ele sentiu seu mundo cair. Ele levou uma garota que tinha acabado de conhecer pro alto de um prédio, e ela simplesmente se jogou. Ela se jogou. E ele estava lá, sem saber o que fazer. De repente, ele escuta um barulho. É o despertador. Caio levanta assustado, ainda abalado pelo pesadelo que teve. Era tudo tão real... Mas não passou de um sonho e ele não tinha muito tempo ou se atrasaria pro trabalho, e ainda tinha que passar na livraria antes. Depois de tomar uma banho rápido e um café nada saudável, ele sai apressado, pega seu carro na garagem e vai à livraria. Pega rapidamente o livro que foi comprar e se dirige à fila, que não estava tão grande. De relance ele pode ver a balconista, e... Ele a conhecia. De algum lugar. Aquela voz... Aquele cabelo... Aqueles olhos... Não, não podia ser. Sua vez chegou e ele teve certeza. Eram os mesmo olhos claros e vazios, o mesmo cabelo loiro e solto, o mesmo rosto, as mesmas feições. Ela era idêntica à...

- Bom dia senhor, posso ajudá-lo?

E no crachá, o nome dela, Laís.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Eu me preocupo demais. Idealizo demais. Sofro demais. Choro demais. Penso demais. Imagino demais. E no final das coisas, eu canso demais. Eu desisto rápido demais, e toda aquela preocupação, todo aquele rancor, aquele ódio, ou seja o que for que eu estava sentindo, desaparece. Some. E eu me sinto estranhamente tranquila. Uma tranquilidade quase doentia. Uma tranquilidade sádica. Eu me sinto vazia. Completamente vazia. Vazia demais.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Apenas mais um dia normal

O despertador tocou. Aquele som de vibracal me irrita profundamente. O primeiro pensamento que passa pela minha cabeça é "De novo não...". Eu levanto, quase me arrastando, e lá vou eu. Me arrumo com a animação de mil preguiças, tomo um gole de café, café esse que há tempos não é tão bom quanto eu me lembrava. Na televisão uma mulher diz que a temperatura é de 20ºC. Não está frio, mas eu simplesmente não consigo sair de casa sem um moleton. Me empurro pra fora de casa, andando desanimada, torcendo pra que algo me impeça de ir à escola. Me sento no ponto de ônibus. Pessoas indo para o trabalho conversam sobre amenidades desnecessárias. Não bastava ter que sair do conforto da minha cama, em minutos eu estaria dentro de um ônibus lotado, com pessoas falando alto, e uma música de mal gosto tocando no fundo. De repente, uma névoa densa e gelada começou a surgir do nada, nesse momento eu pensei "Que bom que eu trouxe blusa de frio." Eu gosto de névoa, acho que deixa um ar melancólico. Mas ela foi ficando mais e mais densa, como se tivessem jogado gelo seco no ar. A visão começou a ficar comprometida, e eu só conseguia enxergar vultos. As pessoas pareciam não perceber e continuavam conversando sobre besteiras. Parecia que só eu via aquilo. De repente, de uma nuvem à minha frente, surgiu um vulto, um vulto imenso. Eu continuei procurando na expressão das pessoas à minha volta algum resquício de surpresa com aquela aparição, mas eu não conseguia enxergar seus rostos. Foi então que eu ouvi. Aquela monstruosidade estava falando comigo. "Você nunca imaginou que tudo isso terminaria assim, imaginou? Você que queria o fim, seja pelo meio que for, nunca imaginou que eu viria te buscar pessoalmente, não é? Você nem mesmo acreditava em mim." Era uma voz rouca. Aquilo, seja o que fosse, não estava gritando, estava falando com calma, com paciência, quase com um certo prazer em dizer essas palavras. E estendendo a mão em minha direção, imensa, com unhas pontiagudas, continuou "Vamos, não torne as coisas difíceis. Venha comigo." Eu não entendia nada, mas parecia que eu estava na presença dela. De repente, tudo se apagou. As pessoas (ou os vultos), o ponto de ônibus, a rua, as casas, tudo desapareceu. Eu sentia que sabia o que devia fazer. Estendi minha mão em direção à dela, senti sua pele gelada, mas macia se encontrar com a minha. Pude a ouvir sussurrar "Muito bem, minha menina." Então, num estalo, vibracal. 6:00 hrs. "De novo não..."

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"Estranho é o deserto dentro de ti."

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A carta

Hoje eu quis escrever uma carta. Uma carta que contasse tudo, tudo aquilo que eu nunca falei pra ninguém. Tudo que eu fiz de certo e de errado. Tudo que eu pensei, imaginei, quis ou deixei de querer. Eu ia escrever uma carta e mandar pra um lugar bem longe. Um lugar qualquer, com um endereço aleatório que eu tivesse achado no catálogo telofônico. Eu contaria pra essa pessoa que eu nunca nem pensei em conhecer tudo o que me dói, tudo o que me confunde, tudo o que me deixa desesperada. Eu não esperaria uma carta de volta com uma resposta milagrosa, me dizendo o que fazer pra ser feliz. Na verdade eu não esperaria nada. Seria simplesmente pela sensação de poder colocar tudo pra fora. Poder dividir isso tudo com alguém, que não viesse me julgar por qualquer outra coisa que eu já tivesse feito. Eu até cheguei a escrever essa carta. Só que na hora de escolher pra onde mandar, tudo o que me veio à cabeça foi mandar pra você. Aí eu decidir rasgar ela e deixar as coisas como estão.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sempre foi tudo tão confuso pra mim. Tinha vezes que doía. Era tão intenso, tão profundo, que machucava, uma dor boa, que me fazia ter vontade de explodir. Também tiveram vezes de ser suave. Que eu me sentia segura, confortável, à salvo de tudo e de todos. Outras vezes doía de um jeito ruim, de um jeito possessivo e destrutivo, vezes que eu tinha raiva de mim mesma. Tinha horas em que não sentia. No sentido mais literal que pode existir. Eu não sentia nada e só queria fugir. E durante esse tempo, toda essa eternidade, em que ora eu me sentia de um jeito, ora de outro, toda essa indecisão me consumiu. Durante isso tudo, todo esse desespero, essa urgência de saber o que fazer, me deixou sem forças. Porque por uma vez, uma mísera vez, eu queria saber o que eu quero.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O problema não é dizer oi. Não é nem nunca vai ser. Não vai ser problema inventar um assunto qualquer, fingir que tenho algo de importante pra falar, e no final acabar naquela mesma monotonia que eu fugi. Os começos, em tudo na vida, são inacreditávelmente bons, seja com o que for. O problema são os fins. Terminar é sempre ruim. Sempre dói. Isso com qualquer coisa. Mudar de idéia sobre algo que você sempre teve certeza, é péssimo. Sair de algo que você tanto lutou pra entrar é complicado. Sempre tem aquela sensação "eu preferia que nada disso tivesse acontecido". E eu preferia mesmo. Dar um fim no começo pode ser bem menos doloroso, pra todo mundo. Seria mais fácil se tudo tivesse acabado antes de começar. Tudo mesmo. Até eu.

domingo, 28 de outubro de 2012

Hoje eu sou o que não fui ontem. O que provavelmente também vou ser amanhã, mas depois de amanhã, nunca se sabe. Hoje eu quero o que ontem eu jurei de pé junto que eu não queria e daqui uma semana só deus sabe o que vou querer. Hoje eu só quero que alguém decida por mim. Só quero que alguém me diga o que fazer. Porque na minha cabeça, entre os desejos de liberdade e as algemas que eu tanto amava e nunca deixei de amar, eu só tenho uma esperança.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pedido

Eu fechei os olhos e pedi com toda a força que eu podia ter. Mentalizei da forma mais real que pude tudo que eu queria que tivesse acontecido, esperando que algum tipo de ritual pudesse ser feito. Desejei de todo o meu coração, como nunca tinha desejado algo na vida antes. Implorei pra quem quer que seja que pudesse me ouvir. Rezei para todos os anjos e santos conhecidos, e que eu não acreditava. Esperei, esperei de olhos fechados por algo que eu não tinha certeza que aconteceria. Não sei se esperei por minutos, horas, ou dias, mas eu fiz o possível. Eu fiz o possível e o impossível pra poder fazer tudo de novo. Fiz o possível e o impossível pra poder voltar no tempo e com meia dúzia de palavras transformar um futuro inteiro. Pode parecer cruel, egoísta, ou seja lá o que for, mas não deixar isso acontecer evitaria uma infinidade de coisas, um infinito tempo que não foi perdido mas foi gasto. Pouparia toda essa dor, toda essa angústia de todos envolvidos. Eu fechei os olhos e pedi com todas as minhas forças, e nada mudou.
Tem coisa que a gente tem que aguentar sozinho. Coisa que ninguém precisa saber. Tem dor que dói de um jeito gostoso, e por mais que doa, a gente acostuma. Tem solidão que não é tão sozinha, que é aconchegante. Tem saudade que tem que ser pra sempre, não nasceu pra ser matada. Tem quem não entende a gente, tipo nós mesmos. Tem hora que a inspiração vai embora, e tem hora que a gente pede pra ela ir. Tem hora que o vazio é tão grande que engole a gente, e tem hora que a gente se sente tão grande que engole o vazio. Tem vezes que eu falo demais, e alto demais, só pra não ouvir meus pensamentos me dizendo que as coisas ainda estão erradas.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Se você soubesse tudo que eu sei, hoje você fingiria nem me conhecer.

domingo, 14 de outubro de 2012

A ordem certa das coisas

Primeiro eu me empolgo, crio todas as expectativas possíveis. Depois, ainda muito empolgada, eu me decepciono. Eu sempre me decepciono. Aí eu fujo. Me escondo. Aí depois... Eu esqueço. E volto a me empolgar. E tudo vai se repetindo.

domingo, 7 de outubro de 2012

Coisas mais legais da vida:

- Chuva.
- Acordar e não precisar levantar.
- Pote com tampa.
- Apontador novo.
- Ficar em casa sozinha.
- Cantar bem alto.
- Estar com sono e poder dormir.
- Tinta nova.
- Livro velho.
- Limpar coisa suja.
- Ver que tudo está limpo.
- Andar sozinha.
- Andar acompanhada.
- Não precisar pensar em nada.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Eu parei no meio do caminho. Simplesmente parei. Mas você continuou correndo, me puxando pela mão, me falando sem parar das coisas que tinha visto e gostado. Eu fui. Você estava me puxando, e estava feliz. E nesse trajeto eu parei mais umas 3 ou 4 vezes, não sei, e você sempre tinha disposição de sobra, pra mim e pra você. Só que dessa vez eu parei e simplesmente decidi que quero ir pro outro lado. Eu sempre quis ir pro outro lado, mas eu nunca consegui. Eu quero ir pro outro lado! E você não pode simplesmente me seguir, seu lado não é por aqui. Você vai seguir pelo seu lado, e eu pelo meu. E se eu quiser parar, eu vou parar. E se eu quiser mudar de lado de novo, e de novo, e de novo, eu vou mudar, porque o caminho é meu, eu vou pra onde eu quiser. Segue seu caminho, que eu vou seguir o meu. Não se maltrate tanto, nem sempre as coisas tem um culpado. A terra é redonda. Nunca se sabe o que pode acontecer.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O errado me atrai.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Deixa eu me soltar um pouco, só um pouquinho. Eu me prendi tanto tempo por algemas que eu mesma inventei, que agora que eu descobri que posso ser livre eu quero tentar. Deixa eu fazer o que eu quero dessa vez, só pra variar. Deixa eu pensar no hoje, no agora, deixa eu comer a sobremesa antes do jantar, só pra eu ficar feliz, nem que seja uma felicidadezinha de nada. Deixa eu tentar ver sozinha que as coisas podem não ser tão horríveis como eu sempre vi. Deixa eu decidir por mim mesma, só dessa vez, só um pouquinho.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ah melancolia, que saudade!
Meus dias ficaram tão abafados,
Aqui sem você.
Tudo aos poucos ia ficando mais claro,
Mais colorido.
As cores iam me cegando,
Mas agora eu posso ver,
Você voltou!
Tudo vai ficando escuro de novo.
O ar vai ficando frio,
O céu já está cinza.
Já sinto aquele peso habitual,
Aquele impulso mórbido.
Ah melancolia, que saudade!

O medo é amigo

Fracasso. É essa a palavra. É o medo disso que me faz bem, que me fez quase cicatrizada. Quando eu me liberto, quando eu me solto, quando eu decido voar, o fracasso sempre me acompanha, e pousa em minhas costas, me fazendo descer, descer, até chegar ao chão de novo. Por isso que sair de dentro da casca não dá certo. Por isso que sexta à noite, quando eu sair, vou chorar com vontade de voltar. Por isso que quando eu olhar no espelho, eu vou querer me esconder. Mas eu sou assim. Burra. Burra que sempre precisa reafirmar o quanto o medo é amigo.
Eu estava aqui
[Estava ou ainda estou?]
Olhando pro nada,
Me cobrando alguma coisa,
Qualquer coisa.
Virou mania me cobrar.
Quase um estilo de vida
Isso de cobrança.
Só que aí eu parei pra pensar,
Parei de pensar.
Apesar de mim, tudo vai continuar.
Apesar de você também.
Quando eu cheguei já estava ruim,
E comigo saindo não vai melhorar.
Eu não importo,
Como você também não.
A única coisa que importa, é isso.
Saber que nada importa.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sometimes I wanted to speak in another language, don't talk, scream, scream all I don't want to listen, all you don't want to understand. But still I'm gonna keep me understanding, and that's the problem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Deixa o tempo fazer seu papel.
Deixa ele levar o que tiver que ser levado,
E plantar raízes fundas no que achar necessário.
Deixa ele, e só ele, me dizer o que fazer.
Porque sozinha, eu não sei de mais nada.

domingo, 9 de setembro de 2012

Domingueira

Ah, o domingo. Domingo é aquele dia tudo de ruim na sua vida, parece muito pior. Domingo é o dia da maior ressaca moral que já existiu. Há quem tenha até ressaca física, muitos sem nem ter encostado uma gota de álcool na boca. Domingo é o dia oficial do Sofrimento Por Antecipação. Não tem pessoa no mundo, que em pleno domingo, fique feliz em pensar que no dia seguinte é segunda feira. Domingo é o dia, que mesmo quem não tem motivo, pagaria uma bela quantia pra simplesmente dormir, e não ter que acordar. É cansativo demais, esse pensamento rotineiro, e domingueiro de "Merda, vai começar tudo de novo".

terça-feira, 28 de agosto de 2012

E no mais, o que sempre valeu a pena foi o nada. Nada sempre foi a resposta pra tudo. O nada, o zero, o ponto final. O fim.
O fracasso dá medo, paraliza, deixa cicatriz. Melhor não tentar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Capitu deveria ser eu. E assumir isso poderia ser problema pra alguns, mas a dúvida que a trama traz, em seu final, me dá uma certa discrição. Discrição essa que só Capitu tinha. Discrição que só ela sabe o que escondia. Só ela, porque quem mais sabia, o mar engoliu. Capitu deveria ser eu, que sei dissimular como a mesma, diria até que o páreo entre nós seria duro. Entre outras semelhanças, que como dito, só eu e Capitu sabemos, posso dizer apenas que numa mente suspeita, não se deve dar alternativas ao erro. Digo também, que esperto é quem foge enquanto é tempo. Enfim, Capitu deveria ser eu, que pros olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada, só me falta a cor. Capitu deveria ser eu, mas como não posso mais, te passo o título, e espero, minha filha, que saiba usar muito bem o legado que ele te dá.



[À quem não entendeu nada, tenho duas sugestões: 1ª Leia mais. 2ª Não tente entender demais.]

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A versão da arma

"Eu estava lá, quietinha no meu canto, como sempre. Fazia tempos que ninguém me obrigava a fazer aquilo que eu tanto odiava. Eu não tinha nada contra ninguém, nunca me fizeram mal. Então nunca vi motivos pra isso. Mas um dia, me tiraram do meu sossego, do meu esconderijo, de onde eu não fazia mal pra ninguém. Me pegaram de forma violenta, como se estivessem espumando de raiva. Nesse momento vi que eu iria ser culpada de alguma coisa. Me pegaram e eu só tive tempo de ver uma mulher nua gritando, pedindo pra ele não fazer isso, e eu continuei sem entender nada. E numa fração de segundos, sangue. Tinha acontecido de novo."
" - Ah! Se não fosse tão complicado, se as pessoas não dependessem tanto de mim. Sim, eu sei que parece falsa modéstia e tem aquela coisa de "Não se dê tanta importância, o mundo não gira em torno de você" mas dependem, eu sei que dependem. Seria tão mais fácil se meu erros refletissem só em mim, e se eu tivesse controle das minhas coisas. Não parece errado, as únicas coisas que são minhas, meu corpo, minha mente, meus sentimentos, não parece errado eu não poder mandar justo nelas? Se não fosse tão complicado, um passo resolveria" E saiu do alto do prédio, de novo.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Eu ia te ligar, pra dizer que não dá mais.
Que a culpa me corroeu,
E que não consigo pensar em mais nada.
Ia te contar o quanto eu errei,
E quis errar.
E que isso é uma doença louca,
Que eu simplesmente não posso controlar.

Eu ia te dizer que melhor que você nunca existiu,
Nem nunca vai existir.
E que eu nunca mereci tanto assim,
Isso é claro pra quem tem olhos e pode ver.

Eu ia te ligar pra dizer o quanto tudo dói,
O tempo todo,
E que viver por altruísmo nunca fez meu tipo.
Ia ligar pra te dizer que eu só continuei por amor.
E quanto amor!
Te amo de uma forma tão intensa,
Que nem se pode sentir.
É como um orgão vital.

Eu ia te ligar e fazer um discurso imenso
E clichê.
Ia falar coisas sem sentido já meio embriagada,
Meio chorosa.
Ia me despedir por meia hora,
Tempo suficiente pra desistir.
E não desistiria.

Eu ia te ligar pra dizer que não dá mais.
Mas você atendeu o telefone e disse:
"Oi, que saudades!"
E eu simplesmente esqueci porque eu tinha ligado.



Escuta 'mocinha'. Até o fim. E entende de uma vez, que dessa vez, foi diferente.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A banca de sorrisos

Antes de vir pra cá, seja lá onde seja o "cá", eu passei por uma banca, um lugar tumultuado, uma fila enorme. Procurei saber, uma menina que tinha acabado de ser atendida me disse "É uma banca de troca. Estão trocando a razão por um sorriso." Eu não entendi, a razão por um sorriso? Não a razão no sentido de "ter" razão, mas no sentido de possuir o dom da razão, o dom de raciocinar. Porque alguém trocaria isso por um sorriso? Já que na minha cabeça era muito óbvio que se algum dia eu quisesse sorrir, seria por algo que eu me orgulhasse, por algo que me fizesse bem, e eu não conseguia imaginar isso sem ter racionalidade. Talvez não faça sentido pra você, leitor, mas se tem algo que eu prezo, e procurava acreditar, era na racionalidade. Voltando à história, eu não tive palavras pra expressar o quanto aquilo me parecia sem sentido. E passei direto. Não dei importância. E hoje sim, eu vejo, que espertos foram os que fizeram a troca. Hoje eu vejo que a ilusão é a única saída, a única válvula de escape. Ninguém em sã consciência se orgulha de raciocinar, não com a conclusões que ela pode vir a chegar. Aí o mundo virou de cabeça pra baixo, e acho que só eu percebi. Eu que passei direto, que não quis abdicar do que pra mim era algo primordial, ingenuidade minha. A ignorância não é apenas um dom, e sim o maior deles.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

"Tudo bem andar devagar, desde que ande." Só se falam em caminhos, em seguir por aqui, trilhar por ali, como se a vida fosse feita de estradas, como se tudo dependesse de caminhar, correr, ou chegar. Chegar onde? E quando chegar, é o fim da sua estrada? Porque se "ficar parado" é tão ruim, não se deve chegar à lugar algum, evitando esse fim óbvio. Eu acho que se a vida é realmente cheia de caminhos, é certo de que existem mil e um atalhos e esqueceram de me contar. Eu vou continuar aqui, sentada, até que meu caminho venha até mim. Já ande demais por aí.

domingo, 12 de agosto de 2012

Desespero =Deixar de esperar, desesperança.
Tudo faz sentido agora.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Você me assombra. Você e todas aquelas coisas que eu não quis e agora penso querer. Penso, só penso. É o que eu repito pra mim. Penso, só penso. Você me assombra. Você e todo aquele rosa, aquele azul, aquilo tudo que eu não me lembro direito. Você me assombra.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Um dia, um dia como todos os outros, ele percebeu que a vida é bela. Ele percebeu que o mundo é incrivelmente perfeito e que existiam inúmeros motivos pra fazer dele um lugar melhor do que já era. Ele percebeu que as pessoas ainda tem salvação e que ele podia fazer algo, por alguém. Ele percebeu que tudo era extremamente simples, e que conseguia ver com clareza, depois de muito tempo de cegueira. Ele se sentiu livre pra viver e pra ser feliz, como nunca antes havia se sentido. Ele se sentiu forte e disposto à ir atrás de tudo que tivesse vontade. Um dia, tudo deu certo, e ele não teve mais medos bobos, como o de atravessar a rua, ou o de cair em público. Ele simplesmente foi o que sempre quis ser. Só que o despertador tocou, e o mundo real é bem diferente.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Dormia demais. E estava sempre cansada. Falava demais. E sempre tinha algo que não podia dizer. Pensava demais. Nada que prestava. Lia demais. E poderia ler mais ainda. Ouvia música demais. E se imaginava cantando cada uma delas. Comia demais [o espelho foi quem disse]. E sempre estava com fome. Chorava demais. E quando achava que as lágrimas tinham acabado, lá vinham elas de novo.Gritava demais. Ela estava pedindo silêncio. Sonhava demais. Com tudo que não ia acontecer. Desejava demais. Desejava o fim.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A desnecessariedade das coisas

Desnecessariedade é uma palavra que não existe. Mas tanto faz. A gente sofre por tantas outras coisas que também não existem. Coisa completamente desnecessárias.

Sobre a ansiedade

Olho no relógio.
19:37.
Vou até a cozinha, abro a geladeira.
Não posso comer.
Volto pro quarto.
Tocar violão?
Não.
Penso numas mil coisas em um segundo.
Começo a bater os pés no chão,
No ritmo de uma maldita música qualquer.
Meio minuto depois, eu já estou num ritmo tão acelerado,
Que minhas pernas não podem mais aguentar.
Olho no espelho.
Tudo igual.
Volto pro quarto.
Volto pra cozinha.
Volto pro quarto.
Decido ler.
Não tenho o que ler.
Não tem filme nenhum pra ver.
Não tem nada na televisão.
Nunca tem.
Paro.
Respiro.
Olho no relógio.
19:38.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Lucidez Indesejada


Ah, eu tenho tanto tempo, nesse intervalo entre o tédio e a melancolia. Nesse espaço de madrugada em que eu já fiz tudo que eu tinha pra fazer, tudo que eu queria e não queria fazer. Mas esse tempo me deixa louca.  Essa angústia, essa ansiedade... É aí que o tic tac do relógio parece furar meus tímpanos. As vozes na rua, tão felizes, tão acordadas... E tão ocupadas. A respiração vinda do quarto ao lado me faz beirar a loucura. Isso quando não são aqueles outros barulhos. Aqueles que eu sei que não existem, aqueles que eu prefiro nem falar. Tudo isso me consome, tudo isso me corrói. Todo esse tempo vago me faz cair no que eu mais tenho evitado: Pensar. Pensar me maltrata. Se existe algo que eu sempre digo é “Ignorância é um dom”. E é. Pensar traz certezas aniquiladoras. E dúvidas mais aniquiladoras ainda. Pensar te tira da zona de conforto de simplesmente deixar o tempo fazer seu papel, e te faz cair na realidade de que não há nada que vá mudar isso, seja lá que ‘isso’ seja ele. O tempo anda com a péssima mania de piorar tudo.  E tudo parece sem saída. Então, o destino da vida se cumpre. São os ignorantes [uma pequena parcela] buscando lucidez, e os lúcidos, se afogando em vícios, pra deixar de pensar e dormir em paz. Um comprimido, e boa noite mundo.

domingo, 15 de julho de 2012

Paródia da Vida

O tempo passou.
[E olha que às vezes ele não passa.]
O tempo mudou.
[E mesmo assim eu sinto frio.]
As cores desbotaram.
[E tudo ficou assim, meio cinza.]
As discos arranharam.
[E eu continuo os escutando.]
Eu já li todos os livros que eu tinha.
[E todo o resto parece ruim.]
Amanheceu.
[E eu ainda não dormi.]
De novo.


sábado, 7 de julho de 2012

É como se o mundo rodasse,
E eu tivesse que ficar parada, assistindo.
Como se minha vida fosse um livro,
Que quem quiser pode escrever,
Menos eu.
É como se eu não tivesse controle de nada.
Como se eu nem quisesse.
E eu nem quero.
Só quero que o som acabe.
Que tudo vire um filme mudo.
Que tudo vire meu.
Meu livro, onde os personagens falam.
Eles falam sem som.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Eu tô cansada de estar cansada, de tudo. Eu só quero não estar, um pouco, pra tudo.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Sr. Tempo pt. II

O Tempo não existe. O Tempo foi criado por quem sentia a necessidade de se organizar. Foi uma boa idéia. Se não tivesse saído do controle. Nós perdemos o controle do Tempo e o Tempo nos controla. Nós aprendemos a contar quantos segundos tem um minuto, quantos minutos tem as horas e quantas horas tem uma vida. Nós gastamos nossa vida cronometrando nossos atos, pensando em como ganhar Tempo, pra ter mais Tempo sobrando, pra pensar em como poupar Tempo. E aí tudo é corrido. Tudo é criado pra acabar. Tudo tem data de validade e não ouse a discordar. O Tempo é cruel. Ele manipula cada mísera vida de perto e sabe muito bem quando deve voar e quando deve se arrastar. Quando ele deve apagar e quando ele deve evidenciar. O Tempo não perdoa. Temos um padrão a seguir. Vivemos em função do horário de Brasília. E a prova de que o Tempo não existe, e que se faz dele o que bem quiser [desde que você tenha uma boa explicação (ou não)] é que existe o horário de verão. Pessoas simplesmente decidiram um belo dia, que todo mundo ia fazer tudo uma hora mais cedo, ter que conviver e se acostumar com isso, e depois elas voltam o tempo pro "normal".  Bom, isso são só idéias avulsas que me ocorreram depois de me questionarem sobre "Como o Tempo passa pra mim". Eu não soube explicar direito. Não mesmo. Só tive como expressar meu único desejo no momento: Tempo, passe. Corra. Voe.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eu ia te contar. Não contar, você já sabe. Mas eu precisava conversar. E eu ia falar. Mas você estava tão animado. Com tudo. Tudo era motivo pra você se impressionar, rir, ou achar bonito. E eu só via, e concordava. Eu ia te falar. Do medo que eu tenho de não conseguir falar. Do medo de que de tanto engolir as palavras um dia eu nunca mais consiga colocá-las pra fora. Do medo de ter medo de tudo. Eu ia te falar. Provavelmente ia chorar, e você não saberia dizer nada e diria que queria poder me abraçar. E eu imaginaria seu abraço, e as coisas ficariam um pouco melhores. Eu ia te falar. Ia gastar todas as palavras que eu ainda me lembro. Mas você estava tão animado, tão feliz. Seus olhos brilhavam por tão pouco. Como uma criança que ganha um pirulito, e só sabe falar nele durante horas, que eu desisti. Desisti de falar, e preferi te observar, ver seus olhos brilharem.

Ah

A música parou.
O bolo queimou.
O ônibus passou.
A tinta acabou.
As idéias também.
Eu fingi que estive aqui,
E todo mundo acreditou.
O sono veio.
Ele vem e vai,
Como quem brinca de balanço.
E todas essas coisas,
Tudo isso que acontece o tempo todo,
Tudo que não merece minha atenção
E eu a dou, por falta de opção,
Tudo isso, dói.
Tudo dói.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Você... Você esteve esperando. Não esteve? Eu não acharia isso de qualquer um, mas de você... De você sim. Agora é que eu percebi. Eu te fiz esperar. Não era minha intenção. E que burra eu, perceber isso só agora. Eu te fiz esperar, não é? E não cumpri minha palavra. De novo. Eu não achei que nada disso pudesse acontecer. Maldita hora em que achei que pudesse voltar no tempo. Você... Você esteve esperando! E eu só percebi agora.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Engraçado, quando você se priva de tudo, o tempo todo, chega um dia que automaticamente quando você sente aquela vontade de falar, aquela vontade de deixar tudo nos eixos, ou pelo menos tentar, vem uma voz dentro da sua cabeça que te diz: "Não. Não fala. Ninguém quer saber. Ninguém vai te ouvir. Vai dar tudo errado, de novo." Aí você só acena e sorri. Só acena e sorri.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Silêncio de tudo.
Barulho de nada.

Barulho de tudo.
Silêncio de nada.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Eu sumi.
Sumi de tudo.
Sumi de todos.
Sumi pra quem quisesse me achar,
Mesmo que não devesse.
Sumi pra tudo que me exigia força.
Força que eu perdi faz tempo.
Sumi pro que eu gostava.
Desisti de fracassar.
Me limito a não tentar.
Sumi de tanta coisa,
Que eu nem me lembro mais.
Eu fechei os olhos,
E preferi sumir.
Preferi desaparecer.
Preferi ser esquecida.
Preferi esquecer.
Preferi não falar,
Com medo de não parar.
Preferi não me abrir,
Com medo de que o pouco que
Ainda guardo aqui fuja.
Preferi deixar de ser eu.
Já que fui eu a culpada de tudo.
Sempre.
Eu sumi de tanta coisa,
Que se algum dia, eu quiser me achar,
Não vou conseguir.

domingo, 20 de maio de 2012

Eu consegui meu conto de fadas. Consegui meu príncipe encantado sem cavalo branco. Eu, a autossuficiente que achava isso antiquado, tenho o meu conto de fadas. E o mais hilário, é que a vilã, sou eu mesma.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Você pode.
Você pode.
Você pode.
Você pode.
Você pode. E deve.
Você pode.
Você pode.
Você não pode.

Às vezes cansa, ter que acordar pra ficar se iludindo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Azul e rosa. Não sei bem, mas é isso que me vem à cabeça. Um pouco de cinza, talvez. Acho que vermelho não, era frio demais pra isso. Rosa no máximo. Rosa velho, opaco, nada gritante. Também me vem à cabeça espirais, e formas que não me lembro direito o que formavam, pessoas, lugares... Não sei. Passei a inventar a parte que eu esqueci. A parte que eu sempre esqueço.

sábado, 5 de maio de 2012

Como a lágrima que corria, e só.
Como os lábios doces que beijou,
E esqueceu de amar.
Como o caminho que passava,
Todos os dias, até se perder.
Como o vento frio que corta.
Tão frio, que é quase imperceptível.
Como o fio de cabelo,
Que de tão fraco, desapareceu.
Como a voz, que de estridente à rouca,
Passava sem ser percebida.
Sem nunca ser percebida.
Como a lágrima que corria,
E só.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Não é comodismo. Um pouco, talvez. Quando você sabe que as coisas não podem ser mudadas e ainda sim procura resolvê-las, isso te caracteriza como idiota, como alguém que não sabe considerar a realidade, e eu não quero ser isso. Não quero e não sou. Se tem algo que eu considero seriamente é a realidade. Talvez até demais. Talvez essa minha mania de "adivinhar" os fins é que me condene. Se em vez de tentar descobrir o que vai acontecer no final eu simplesmente vivesse talvez as coisas não saíssem tão do meu controle, ou saíssem, e desse certo. Se eu deixasse a realidade, as perspectivas, as probabilidades de lado e sonhasse mais, vivesse mais, me entregasse mais... Se... 'Se' é um termo vago, é contar demais com a sorte de que vai aparecer outra chance de mudar o rumo das coisas, e eu não me permito mais à essas coisas vagas. Eu envelheci demais nos últimos tempo, e não tenho mais forças pra me aventurar por aí, não tenho mais forças pra me dar ao luxo de não saber o que vai acontecer. Pode até ser comodismo, e se for, ele tem sido seguro o bastante pra mim.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Você está mal e cai. Cai porque tinha que cair, não há nada de errado ou estranho nisso. Aí você fica lá, caído, esperando sua vez de levantar. Ás vezes aparece companhia. Outras pessoas caem também, é claro. Você os escuta com atenção, ignora os motivos pelo qual está ali, ajuda, dá força, muitas vezes serve de apoio pros outros se levantarem. Normal. Acontece com todo mundo. E é a forma que você encontrou pra ser solidária. Só que você cai. Outra pessoa cai. E se levanta. Então outra cai, e se levanta. Mais outra e outra e outra e outra, e todas se levantam. Só você continua lá caído, vendo todos se levantarem e andar por aí, como se nada tivesse acontecido. Seria injusto, se eu soubesse explicar.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Agonia Musical

Não sei se vocês já passaram por algo parecido, acredito que sim, mas eu tenho a péssima mania exagerar em tudo, e esse caso é um dos clássicos. Eu tenho constante Agonia Musical. Pra quem não sabe, Agonia Musical nada mais é do que aqueles dias em que você quer e precisa ouvir música, mas não acha nada que te agrade. Nenhum estilo musical se enquadra, nenhuma banda nenhum cantor conhecido serve. E também não é tempo de conhecer coisas novas. É preciso algo intenso, pra poder cantar gritando, algo que tinha ficado esquecido no fundo do bau. As músicas que estavam nas mais tocadas do seu celular, mp3, mp4, etc etc não servem mais, não por hoje, não por agora. Elas já falaram sobre todas as emoções possíveis e "sentíveis". Já relembraram passados que deveriam ter sido esquecidos, e que agora, nem graça de serem remoídos eles têm mais. Esse é ciclo de tudo, inclusive das músicas. Elas precisam ser esquecidas pra que depois, tenham mais valor. Só que enquanto isso não acontece, eu fico assim, sem rumo, sem eira nem beira, ouvindo os barulhos que tanto odeio, do mundo lá fora.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Uma vez me disseram uma coisa interessante. No momento foi cruel demais, pela situação, situação que não vem ao caso. Essa frase me marcou mais do que deveria, eu acho, já que hoje a pessoa nem faz mais parte da minha vida, e eu prefiro assim. Voltando à frase, se eu bem me lembro, as palavras eram exatamente essas "Não se dê tanta importância. O mundo não gira em torno de você." Já falei sobre, ou citei ela aqui. Bom, isso não me foi dito como um conselho amigável, eu senti raiva nisso, senti desprezo, me machucou de verdade. Mas me ensinou muito. Ou não. É sobre isso que vim falar. Acho que eu deveria ter aprendido mais com ela. Eu deveria ter feito dela meu lema enquanto ainda tinha tempo. Por mais que hoje ela me venha à cabeça em muitos momentos, eu não tenho o controle de me livrar de coisas que não sei se são direcionadas à mim. Tenho a péssima mania de me sentir alvo de tudo que não tem destinatário, ou de distorcer olhares, palavras, e fazer tempestade em copo d'agua. Me preocupo demais com coisas que nem sempre são necessárias, e isso me corrói. Me limito a observar de longe, fingir que não vi, mas mesmo assim é algo que me afeta. Um dia me livro completamente disso, do contrário, vou continuar fugindo de tudo que me assusta.

E aos leitores, um conselho amigável: Não se dêem tanta importância. O mundo não gira em torno de vocês. Não se vejam onde não existem.

terça-feira, 27 de março de 2012

Ontem revirei tudo o que eu tinha.
Página por página.
Numa procura inútil por algo
Que nem lembro se existe.

Procurei pelo que não existia,
E achei o que existiu.
A brisa do passado que sempre
Me sopra o rosto
Quando abro um livro ou outro.

Não direi das músicas,
Que melhor não existe pra trazer
O que não devia.

Revirei tudo em busca de algo pra falar.
Uma frase bonita de um poeta qualquer.
Minha intenção era plagiar.
Já que me falta a criatividade
Pra me expressar com a melancolia
Que julgo ser necessária.
Revirei e não achei.

Achei as moças formosas
De bochechas vermelhas de sempre.
Achei contos sobre viagens,
Desencontros, sobre o tédio e sobre política.
Achei aquele poema sobre o vestido.
Achei tudo... E nada.

Então me achei aqui.
"[...] que por minha vez escrevo, dissipo."

sexta-feira, 23 de março de 2012

A prisão legal

Saindo dos padrões - e que padrões - dos textos desse blog, hoje decidi postar uma opinião. Uma opinião que me veio à cabeça antes das 7 da manhã. Logo de cara, algo que acontece antes das 7 da manhã não pode prestar, mas vamos à ela. Estava eu num ônibus, indo pra escola às 6:50 da madrugada, e me perguntei "Porque eu tenho que estudar?". Que aluno nunca se perguntou em que usaria polinômios e fórmulas no dia-a-dia? Que aluno nunca disse que o necessário é só o 2+2 e o 2 x 2 ? E aí os professores tem todo aquele discurso de que vai ser necessário sim, etc etc. Mas eu pensei, e pra mim ficou claro que não, eu não vou precisar de nada disso. Pergunte pra uma pessoa de mais de 30 anos que completou o ensino médio se ela se lembra de alguma regra matemática que foge da soma, subtração, multiplicação e divisão. Ela não vai se lembrar, a não ser que trabalhe numa área relacionada a isso. A escola é um teste pelo qual você tem que passar pra entrar no "mundo adulto". É uma prisão que é bem vista pela sociedade que te impõe regras e te "ensina" a viver em grupo. Numa entrevista de emprego para vendedor, ele não quer saber se você é bom em física. Ele quer saber se você entregou seus trabalhos em dia, respeitou seus colegas e professores e cumpriu horários. Tanto faz o que você estudou, ele quer saber como você se sai trabalhando sobre pressão. Agora vá numa entrevista de emprego, você tem ensino médio completo e não se lembra de uma mísera palavra que algum professor disse, e está competindo com uma pessoa que só estudou até a 8ª série e também não se lembra de nada além do essencial. Quem fica com o emprego? Você. E não é porque você sabe mais do que ele. É porque você sobreviveu mais tempo dentro da escola - que pra muitos pode ser o inferno, por vários motivos-. Isso sem falar nos professores, que não tem culpa de absolutamente nada e estão fazendo seu trabalho muito dignamente e são tratados como lixo, tendo que conviver com crianças e adolescentes sem limites, que recebem o mundo nas mãos pelos pais que acham que quem educa é a escola, ganhando uma esmola. Resumindo, depois de prestar uma faculdade, fazer um concurso, ou uma prova qualquer, a escola [ou o tempo que julgam ser necessário você frequentá-la] é e sempre foi forma de te colocar nos padrões sociais enquanto sua mente ainda não teve tempo pra funcionar sozinha.

domingo, 18 de março de 2012

Era uma vez uma menina triste. Antes ela tinha motivos pra ficar triste, agora é da natureza dela. Ela sempre foi uma pessoa sociável, engraçada, extrovertida. Mas de uns tempos pra cá, isso vem mudando. Ela se afastou do mundo real. Preferiu trocar os amigos, ou o que ela pensava que fossem amigos, por sonhos, desenhos, canções. Ela que não parava de falar, agora reza pra não perguntarem sua opinião. Não que ela não tenha opinião. Ela tem, e muitas vezes é até algo bem interessante. Mas falar passou a ser algo cansativo pra ela. As idéias revolucionárias que ela tinha eram realmente muito boas, porém ela não tinha forças pra colocar em prática, então ela perdeu o hábito de falar. E por não falar nada, com ninguém, ela acabou tendo mais tempo pra pensar. Pensava sobre tudo. Desde coisas fúteis e supérfluas como coisas importantes e realmente relevantes. E de tanto pensar ficou louca. De tanto pensar viu contradição em tudo. De tanto pensar viu o quanto a ignorância é uma doença sem cura que se alastra pela sociedade e ainda é tida como algo normal. De tanto pensar viu que sua rotina era um ciclo ridículo e vicioso e que no final das contas ela só fazia as coisas pra cumprir tabela e agradar os outros. E foi assim, que de tanto pensar, ela chegou a conclusão de que não vale a pena sair da cama. Cama essa na qual estou, a menina triste que vos fala.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Resumindo...

Que tal se pulássemos os meios, as reviravoltas, as idas e vindas e partíssemos pro final? Pra conclusão. Pouquíssimo me interessa saber por onde você passou pra chegar aqui, ou com quem você encontrou. Sua vida realmente não me interessa. Não sei, talvez funcione, vamos tentar assim, me diga o que está acontecendo, eu julgo se é verdade ou não e fantasio um desfecho cheio de histórias emocionantes, com lágrimas e sorrisos, e tudo que tiver direito. Mas agora, eu realmente não tenho tempo pra saber a verdade. E mesmo que tivesse. A verdade muitas vezes é simples demais. Não atinge nenhum objetivo, não justifica o fim. E aí que eu entro. No fim. Pra saber se tudo valeu a pena. Pra saber se ainda dá pra continuar. Tomei traumas dos "meios". Sempre me perguntavam "Mas o que aconteceu pra que você chegasse aqui?" e essa pergunta sempre me assombrou. Por isso prefiro os fins. São simples, óbvios, claros. Acho que prefiro que os fins, por não saber o que me trouxe aqui.

sábado, 10 de março de 2012

É como um labirinto.
Uma teia de aranha.
Um emaranhado de fios,
Sem fim.

Um poço sem fundo.
Um túnel sem luz,
Sem saída.

Tudo se perdeu
No momento em que começou.
E agora só resta esperar que acabe.
Não importa o que vá acabar.
Agora não interessa mais.
Desde que tenha fim.

sexta-feira, 9 de março de 2012

As cadeiras cantam, rangendo no chão me fazendo querer cometer um crime. E aqui dentro, enquanto tudo desmorora, cai por terra, estraçalha e despedaça, eu te sorrio.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Hoje mudei de ares, não muito por opção, mas acabei descobrindo um lugar até melhor pra estar. Mais arejado, mais vazio. Bom, completamnete vazio. Sentei no chão, parei uns minutos e percebi que a cena parecia depressiva demais pra quem visse, se houvesse alguém ali, e não é do meu feitio transparecer certas coisas. Levantei do chão e sentei num muro baixo perto de mim. O dia corria normalmente, até que eu decidi parar de passar pelas coisas, e quis olhar, observar, pra variar um pouco. Tudo parecia tão diferente do que eu "via" sempre. O sol brilhava forte, amarelo, mas não era aquele sol ardido, era calmo, aconchegante. A grama doía nos olhos de tão verde, parecia pintada à mão. O irrigador ligado, parecia jogar gotas de brilhantes na grama, fazendo doer ainda mais as vistas de tanta cor, tanto brilho, tanto contraste. As árvores balançavam com a brisa suave que passava por entre as folhas fazendo um barulho bom de ouvir. Quando vi naquilo tudo um quadro perfeito, ainda faltava o gran finale. Um vento mais forte passou por entre as árvores arrancando delas folhas amarelas e quase secas, que já estavam por cair, uma hora ou outra. Não lembro de ter visto cena mais simples e bonita nos últimos tempos. Só que a música que tocava ainda era triste.
Mania besta minha. Maltrata mas eu sei lidar. É que eu tenho um gosto -estranho diga-se de passagem- pelas torturas, pelas dores, pelos extremos. Quem inventou isso de "8 ou 80" certamente não passou um dia inteiro comigo, se não seria 8 ou ∞. E que diferença faz, pergunto eu? Sim, claro... Há quem sofra, ou melhor, houve quem sofreu. Hoje tudo isso é tido como "contornável" ou até charme. A única vítima disso continuo sendo eu, mas isso é o de menos. E é só não reagir. Não falar. Me manter caminhando e só deixar que a correnteza leve, que o sono apague. Eu só não gosto da insônia.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Não lembro se chorei. Foi o que eu quis fazer, disso eu lembro. Lembro também de não estar nervosa, mas sim aliviada. Acho que a situação só serviu pra enfatizar a idéia de "alma lavada". Não lembro se chorei, não lembro... Estava chovendo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Penso, logo...

Ontem me coloquei à pensar. Pensar nos detalhes que passam por nós sem ter nossa atenção. Fiquei pensando, que naqueles prédios e casas, que das janelas os moradores vêem o mundo do lado de fora, também serve pra nós vermos o mundo de dentro. Fiquei pensando em coisas mais simples ainda. Convenções criadas por sei lá quem, que diz que se eu sair na rua desejando bom dia pra todo mundo vou ser louca. Que diz que é o homem quem toma iniciativa, e coisas do gênero. Pensei em coisas automáticas, como virar de lado na cama, passar a língua nos lábios ou tirar o cabelo do rosto. Coisas que fazemos por simplesmente fazer. Pensei no coração batendo e num infinito de veias e capilares me mantando viva, num quebra cabeça perfeito que o mundo de hoje fez questão de desregular. Pensei nos olhos, que captam e transmitem milhares de coisas num segundo. Eu parei e pensei: É bom pensar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

É a culpa, só culpa. O sentimento mais simples e devastador. Que corrói, machuca, mata. É a culpa e só a culpa que consegue me tirar qualquer racionalidade. Pense em mim como uma grande piscina cheia de água. A água é o amor, a água é tudo que só o tempo pode construir. A culpa é a tinta, vermelha, sangrenta. Basta uma gota de culpa, uma mísera gota, pra manchar toda a água. E não importa quanto amor, quando felicidade, quanta lembrança boa esteja ali, a culpa vai manchar tudo. E de repente, tudo vai parecer melhor que minha água suja. Tudo vai parecer convidativo. Todo copo d’água vai parecer rio. Tudo a sua volta vai parecer mar. E eu vou ficar aqui, com minha piscina suja, com minha água sangrenta. Qualquer dia eu morro afogada.

Você estragou tudo

Um tempo atrás, achei um caderno de poemas e textos da minha mãe, coisa da época da faculdade. Eu vi muita coisa legal, e comecei a “roubar” os poemas dela. Mudava uma ou outra palavra e levava pra escola falando que tinha sido eu quem tinha escrito. As pessoas gostavam, falavam que eu escrevia bem, e por mais feliz que eu ficasse com isso, eu também ficava triste, por saber que não era eu quem escrevia. O tempo passou, eu parei de fazer isso. E um dia, eu me vi escrevendo um poema. No começo tava tudo muito estranho, sem nexo, realmente ruim. Eu fui tentando e um dia resolvi que estava bom. Mostrei pra uma amiga, ela gostou. Escrevi outro e mostrei pra ela. Ela gostou. Bom, a minha situação na época ajudava, eu estava tendo uma daquelas crises amorosas e todos os poemas e textos saíam melancólicos e profundos. O tempo passou e parecia que a vida queria que tudo que eu fosse escrever seguisse essa linha, porque tudo que eu conseguia passar pro papel era tristeza. Eu não sabia escrever sobre amor, felicidade, e coisas do tipo, mas não tinha com o que me preocupar, eu me via num buraco sem fundo. Só que você chegou. E acabou com meus planos de me tornar uma escritora mal amada e pouco conhecida, que virava noite escrevendo sobre as dores da vida. Hoje eu paro horas e horas tentando escrever algo, qualquer coisa que seja. E tudo que eu consigo é “Obrigada, por estragar meus planos.”

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A chuva e a lama.
O beijo e a cama.
O sonho e o real,
Perdidos entre palavras.

O pão e o café.
Seu sorriso numa manhã nublada.
O veneno e a cura.
A mordida e o assopro.
A chegada e a partida.


Você esteve aqui, e eu estive completa.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Capítulos de um diário ainda não escrito - IV

Acordei cansada. Torci pra que ainda fosse 3 da madrugada. Abri os olhos, tomada pela preguiça, 6:24 a.m. Hora de acordar. O corpo parece não obedecer a ordem do cérebro "Acorda, você vai se atrasar."

_Amor... Acorda... Tá na hora...

_Não tá não, eu acabei de fechar os olhos. Vem cá, dorme mais um pouquinho comigo.

_Não, a gente não pode dormir mais, acorda.

E como se não tivesse acabado de acordar, ele olha pra mim com o sorriso mais lindo do mundo, daqueles que dá vontade de correr uma maratona, ajudar velhinhas a atravessar uma pista de fórmula 1 e pintar todas as paredes do apartamento. Depois de escovar os dentes, escuto um barulho de algo caindo na cozinha. Decido ver o que é. Chegando lá, dou de cara com o chão cheio de pó de café, a torneira da pia aberta, e uma menininha com os olhos cheios d'agua.

_Desculpa mamãe, é que eu ouvi que você e o papai tinham acordado e eu queria fazer uma surpresa, mas quando peguei o pote de café, ele escorregou da minha mão e -já chorando- caiu tudo e eu fiz bagunça.

_Calma, calma meu amor, sem chorar. Olha pra mim, não precisa fazer surpresa assim pra mim e pro papai tá? Fazer café é perigoso. Mas você ainda quer fazer uma surpresa? Eu tenho uma idéia.

Sentei no chão com ela e começamos a fazer nossa surpresa. Eu sabia que iria me atrasar. Mas seria só hoje, que mal tem? Alguns minutos depois, ele sai do quarto falando:

_Amor, que foi que você ficou queita de uma pra outra, que barulho foi aquel.... -E nisso parou na porta da cozinha. Lá dentro, nós duas sentadas no chão, uma obra de arte de pó de café, escrito "Papai, nós te amamos." Nisso ele se sentou com a gente no chão, e nós beijando na testa falou- É lógico que eu amo vocês.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Quantas bocas amargas beijei?
Bocas amargas, vazias, perdidas, embriagadas.
Por quantas ruas escuras andei?
Noites escuras, manhãs escuras, dias confusos.
Quantas canções novas aprendi?
Canções de amor, horror, desprezo, angústia.
Quantos sonetos novos eu li?
De Intimidade, Fidelidade, Desesperança... Separação.
O quanto fui Dialética?
Quanto dispensei o amor?
Quanto tempo eu passei andando em círculos?
Não sei.
Mas continuo aqui.