sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O amor e o medo

Eu estive esperando, por todos esses dias, todos esse meses que se arrastaram. Estive esperando por algo que tinha certeza que não ia chegar. Mas eu esperava, de uma forma lúcida. Uma forma que não me machucava mais. Eu estava progredindo, penso eu. Esperança não era mais o que eu sentia. Mas então aconteceu. O que eu nunca imaginei que aconteceria, mas esperava, como espero todos os dias o sol nascer pra eu finalmente ir dormir, sabendo mais uma vez que eu não tinha desistido de tudo. Aconteceu e eu me peguei pensando nas consequências. Afinal, eu queria. Quero, certo? Mas me pergunto essa demora é realmente necessária. Não que eu possa opinar, escolher, longe de mim! Errei, eu sei. Mas é que eu estava "bem". E você chegou tirando tudo do lugar. Só quero saber se vou ser eu, sozinha, de novo, quem vai ter que colocar as coisas em seus devidos lugares.
Inquietude das que faz buraco na cama. Das que tira o lençol do colchão de tanto rolar, tentando um jeito pra quietar, qualquer coisa pra falar. Uma ponta de sono vem, daquelas que não sentia a tempos, e ela se vai fácil, fácil como veio. Mais uma volta na cama, parece que há espinhos nesse diabo de colchão. É que agora eu já não entendo nada. Me mudaram as idéias, me confundiram as metas e eu nem posso lutar contra o que eu tanto quis enquanto rolava nessa maldita cama.

domingo, 23 de outubro de 2011

O problema é quando o frio esfria mais que o corpo. O problema é quando a brisa gelada leva embora o sorriso. O problema é quando o vento apaga a brasa que vinha acendendo, queimando o que eu tinha de ruim. O problema é voltar a estaca zero.

sábado, 22 de outubro de 2011

Carpe Diem


O necessário é só aprender a viver.
Um passo de cada vez,
É assim que as coisas devem ser.
Pra quê se preocupar com o amanhã,
Deixando o futuro de lado?
Pra quê se fechar pro hoje,
Chorando as mágoas do passado?

Vai sair, encara tudo de frente.
Coloca as cartas na mesa,
Resolve tudo pendente.
E se a tristeza vier,
Que venha como ensinamento.
E quando o nevoeiro passar,
Vai junto com ele o tormento.

Pense no que tem,
Não no que perdeu.
O mundo não vai parar
Por um problema só seu.
Olhe ao seu redor.
Tanta coisa a fazer,
Não vale a pena esperar
Por algo que não vai acontecer.


Aproveite o momento.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Volta que eu quero morrer de alegria [...]"


Aquele dia eu quis chorar. Não entendia porque tinha cometido um erro tão estúpido. Não via razão pra ter agido assim. Tudo que eu mais queria era estar ali com você, mas as coisas poderiam ter sido da forma certa. Eu realmente queria chorar, estava desolada. Mas você me abraçou. “Não fica assim... Da próxima vez, fala a verdade.” Aquilo poderia ter durado a vida toda. Eu não me cansaria. “Não fica assim... Da próxima vez fala a verdade.” Até onde? Até onde eu devo correr o risco das coisas não saírem como eu quero? Até onde, me diz... Você ainda está aí?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Objetivo inalcançável


Agora, avaliando tudo, desde o começo, eu percebo que não tinha fim melhor que esse. Melhor não é exatamente a palavra, não tem nada de bom no estado em que me encontro. Óbvio. É essa a palavra. Era esse, o óbvio fim. O fim que eu cavei, e que agora me enterro sozinha. Desde o começo eu te tinha como objeto inalcançável. E assim foi até eu te alcançar. Mas eu, com meu desejo imenso por ter algo que não tenho, e sem nenhum objetivo que me satisfizesse tanto, te fiz inalcançável de novo. Só pra te ter nos sonhos.

domingo, 16 de outubro de 2011

Uma prisão chamada eu


Conhecer palavras novas por contexto,
E não pelo significado em si.
Visitar lugares,
Cobertos de neve, ou de folha seca.
O deserto dos teus olhos.
Ter a companhia
De quem não se ousa cumprimentar.

Fazer real todos os concertos,
Que cada dia mais eu imagino reger.
Cantar todas as notas, todos os versos,
Tudo aquilo que me tira a voz.

Cair exausta de viver.
Dormir pesado de tanto viver.
Sonhar algo mais pra viver.
Acordar, sair pra viver.
É disso que preciso.
Viver.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

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Sabe, eu tentei. Fiz minha parte. Fiz mais até do que eu achei que conseguiria. Não posso dizer que estou de alma lavada. A culpa ainda me corrói. A mágoa ainda me machuca. Ainda me tira o sono a falta de lucidez. Te dou razão. Do início ao fim. Eu mereço, sei que mereço. Só não posso dizer que às vezes é tão fácil quanto eu queria. Porque não é. Eu só queria ter razão ao dizer “Você sabe onde deveria estar”.





quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Fim


Depois de muito observar, descobri que a mente apaixonada e desiludida é a mais criativa. Nunca vi ninguém que pudesse imaginar cenas, frases, gestos e sentimentos mais do que alguém de coração partido. E observando também, percebi que esse mundo de fantasias é a parte menos dolorosa, num geral. Alivia a dor, imaginar como seria encontrar com aquela pessoa a cada esquina, pensando em como seria bom correr ao seu encontro, ouvir que é amada e dizer que seu lugar sempre foi em seus braços. Bom, por mais que esse seja o “sonho” principal, todos têm certeza de que as chances disso acontecer são nulas. É confortante juntar as lembranças a um ou outro detalhe que faltou. Ou mudar aquela frase que de lá pra cá tem feito muita diferença. No fim das contas, o sonho sempre acaba. A realidade sempre derruba a porta sem pedir licença, e dessa vez ela me nocauteou. Me dou por vencida.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

entorpe, ser


Aquilo de que tanto fugi,
O que tanto evitei sentir,
Hoje me invade e toda conta
De uma forma que já não posso lidar.
Um sentimento tão nobre e puro,
Que eu evitei e recusei de tola que fui
Hoje é o tormento de cada dia.
Cada pedaço de chão,
Cada cheiro, cada paladar, cada toque
Me lembra o quanto me odeio.
E o que tanto evitei sentir,
Hoje sinto, sozinha.
E sem mais forças pra lutar contra.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Passou


Tudo bem, os dias têm até sido mais ensolarados. Não que eu goste de sol, não gosto. Mas em relação às nuvens negras que estavam me rondando, o sol neste caso é bem vindo. As músicas, sim, as malditas músicas que me derrubavam, acabavam comigo, hoje já não soam com tanto rancor, pesar. Claro que as coisas também não são tão fáceis assim, não é nada automático. Mas tenho percebido que com o tempo tudo vai tomando seu lugar. Ainda preciso definir metas, estipular regras, barreiras. Ficar me afogando em álcool pode matar muito mais que a dor. Isso é tudo que nos resta: Lembranças, saudades - impossível não senti-la -, remorso talvez, e algumas paredes com poemas mal apagados. O tempo vai tratar de apagá-los, ou tampá-los com algo mais recente.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

but it's alright, yeah it's alright.






don't say it's alright


A chuva cai, e com ela devia vir algo de novo. Mais uma teoria minha que é falha. Eu tinha grandes esperanças de que a chuva fosse levar tudo de ruim que vim acumulando, mas ela só me fez lembrar de que as coisas não são tão fáceis assim. Eu devia saber, as cicatrizes permanentes são só as internas. O resto se disfarça.

domingo, 2 de outubro de 2011

Precisão

Preciso de uma música que não seja essa, que não lembre você. Preciso de um acalento, um sustento, um momento que seja só meu. Preciso esquecer, viver. Preciso de tudo aquilo que tanto dizem me fazer bem. Preciso do que dizem que eu preciso. O que eu mesma acho que preciso? Ah, melhor deixar pra lá.