terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ando atordoada. Sem rumo. Eu não pretendia nem ia controlar meus pensamentos. Mas agora é o que eu faço. E me culpo por não conseguir.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aqui dentro tudo vai bem


Aqui dentro tudo vai bem.
As palavras soam perfeitamente.
Os gestos emudecem.
Os abraços tem o calor que deveriam ter.
Os beijos tem o sabor que deveriam ter.
As mãos continuam incrivelmente inexplicáveis.
Aqui dentro tudo vai bem.
O choro não faz a maquiagem borrar.
O medo não existe e o orgulho nunca é ferido.
Aqui dentro tudo sempre está bem.
E até mesmo ignorar tudo isso seria fácil demais.
Fingir que não viro as noites, que não arrasto os dias.
Aqui dentro tudo vai bem.
Mas uma hora a vida chama,
E lá fora, as coisas não vão nada bem.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Bom dia flor do dia


Um carneirinho. Preciso dormir. Dois carneirinhos. Dormir não acaba com meus problemas. Três carneirinhos. Eu disse que ia parar de fugir. Quatro carneirinhos. Isso não está ajudando. Cinco carneirinhos. São 4:28 da manhã. Seis carneirinhos. Bem que eu poderia não mais acordar. Sete carneirinhos. Olha, uma mosca! Oito carneirinhos. Se eu dormir vou ter pesadelos, melhor ficar acordada. Nove carneirinhos. Melhor não estar, de modo algum. Dez carneirinhos. Estou ficando sonolenta... Onze carneirinhos. Nunca senti tanto sono assim. Doze carneirinhos. Boa noite mundo. Treze carneirinhos. Espera, aquilo não é o que estou pensando... Quatorze carneirinhos. Porque tem raios de sol entrando pela fresta da janela? Quinze carneirinhos. Bom dia, preciso dormir.

É só ausência. De tudo e de nada. Não sei se é certo estragar isso, a dor me humaniza.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ontem [Por Drummond]

Até hoje perplexo
ante o que murchou
e não eram pétalas.

De como este banco
não reteve forma,
cor ou lembrança.

Nem esta árvore
balança o galho
que balançava

Tudo foi breve
e definitivo.
Eis está gravado.

Não no ar, em mim, 
que por minha vez,
escrevo, dissipo.
Ela se perdeu na conta do rosário quebrado. Se perdeu no grão de açúcar escuro. Ela se perdeu, se perdeu.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pode vir


Venha, e me venha como quiser. Que seja só por um momento, que sejam semanas. Que seja alegria, ou só um ombro pra chorar. Que seja tão quente como brasa ou tão frio quanto gelo. Mas só não seja amor. Venha fazer carnaval, tire tudo do lugar, suje minhas paredes de lama, mas não me traga amor. Cante comigo, ou só me assista. Vista todas as suas roupas, só pra ter o que tirar, mas não me venha falar de amor. Eu conheço o amor. Estive com ele. Sei seu codinome, seu endereço, sua altura e a cor dos seus olhos. E do fundo do meu coração, essa é a única imagem do amor que eu quero ter, pra sempre.

O andarilho

Procurei por tudo quanto é lugar.
Andei por ruas e avenidas.
Passei por becos e vielas.
"Mas a morte não chegava".

Fui à igrejas, templos, cultos, terreiros.
Eu ofereci toda a minh'alma, a que resta.
"Mas a morte não chegava".

Passei ponte, passei rio.
Passei frio, passei calor.
"Mas a morte não chegava".

Esqueci.
Saí. Ri.
Andei. Corri.

Cresci.

Fiquei fixa ao chão.
Fui âncora.
Mas o céu continuava o mesmo.
A morte chegou.

domingo, 21 de agosto de 2011

Leila XIV

A música soava como plano de fundo de uma cena dramática. O fogo queimava lentamente, e o estalar das brasas parecia estar no ritmo da música "Me dê notícias de você... Eu gosto um pouco de chorar". Uma garrafa pela metade, uma taça com um resto de vinho diluído em lágrimas. Um taça vazia sobre a mesa de centro denuncia que ela estava esperando alguém. Mas ninguém virá. Nem deveria, na verdade. Ela acha reconfortante a impressão de que tem alguém pra chegar. Por mais seja ruim a sensação de colocar a cabeça no travesseiro sabendo que todos os dias vão ser iguais, ela alimenta a esperança de que a ilusão possa ajudar. Enquanto isso, na voz de Buarque "Que linda a cantiga do vento, já passou..."

domingo, 14 de agosto de 2011

Sobre o tempo

É só um nevoeiro, vai passar logo.
Uma hora a bola de neve tem que derreter,
não é mesmo?

É apenas um sono leve.
Um pesadelo longo demais.
Um dia você vai ter que acordar.

Olha lá, olha pra frente!
Não faria sentido ter no jardim
uma flor tão bonita como aquela,
se a vida já não vale nada.

Vai lá, levanta a cabeça.
As coisas vão melhorar.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Feche os olhos


Ei, quem sabe se eu fechar os olhos, as lágrimas não possam cair e você não vai me ver chorar? E se eu me mantiver de olhos fechados também, vou deixar de ver tudo que me fez ficar assim. “Mas você não disse que ia parar de fugir?” Mas eu não vou estar fugindo. Eu só não quero lembrar dessas coisas pequenas que me fazem mal. Sabe essas coisas bobas, que você conta pros outros e te acham idiota por estar assim por tão pouco? Pois é. Eu não quero mais ver. Elas ainda me fazem mal, por menores que sejam. E eu andei pensando e não tem nada que eu possa fazer além de fechar os olhos, me calar e sorrir. 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A história de uma caça


Ela era uma mulher considerada linda por alguns. Pele branca, um metro e setenta, rosto de boneca, gênio forte. Era uma psicopata. Era bem seletiva. Não escolhia os mais populares nem os mais bonitos, numa opinião geral. Eram os perfeitos, na opinião dela. Seduzia, encantava com suas histórias engraçadas, os deixavam perdidos em seus beijos. Ela tinha o dom, ela sabia que tinha. Comovia com seus problemas. Qualquer homem de bom coração se entregaria a essa donzela indefesa. Até que um dia, ela acorda, não te beija com tanto amor quanto antes, te evita, te ignora, te esnoba, te chuta, e no final, arranca seu coração. Na casa dela, uma parede reservada só pra eles. Uma coleção. Cada um tem sua história. Cada um teve seu gosto. E ela não mentiu pra nenhum deles. Ela nunca mente. É tudo natural. Naturalmente psicopata. Um dia, num desses dias de beijos frios, em que ela voltaria pra casa com mais um coração, ela percebeu que alguma coisa estava diferente. Ela voltou sem seu prêmio. E sua vítima estava a essa hora, pregando na parede, o coração de uma psicopata desalmada.

Virtude viciosa

Sabe? Eu tenho medo. Tenho medo de tanta coisa. Tenho medo de sair e não conseguir me proteger. Tenho medo de ficar aqui dentro, e não saber me proteger de mim mesma. Tenho medo de olhar no fundo dos seus olhos e me perder em palavras e cenas, mas também tenho medo de cair num vazio sem fim. Minha zona de conforto tem parecido segura e vazia o bastante pra mim. E sabe do que mais? Não se preocupe comigo, eu aprendi a lidar com tudo isso.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O mágico

Quem mais poderia tirar um jabuti da cartola, além de você? Quem mais poderia me ensinar a viver sem virar as costas com frieza e em vez disso, ficar e pacientemente entender, além de você? Quem mais poderia me abraçar forte quando eu estivesse errada e me fazer rir, além de você? Me diz, quem, em sã consciência, poderia tirar um jabuti da cartola, além de você?




Deixa eu me iludir, faz bem pra mim.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ainda pequena

Só queria que eles vissem ela como eu vejo. Queria que eles vissem a insegurança, o medo e a tristeza em seu olhar. Ela pode ser enigmática, mas não para mim que consigo lê-la tão facilmente.Para muitos ela não é o livro mais agradável, enquanto para mim é uma leitura de minha própria vida, em palavras negras postas em papel branco que se dirigem somente a mim mesmo. Ela é a melodia suave, tensa e melancólica de uma noite chuvosa que trazem para as pessoas o prazer mas não para mim. A música que tocas entra pelos meus ouvidos e já faz parte mim, fundindo com meu corpo, alma e o meu sangue frio que já não pulsa mais enquanto meu coração negro e morto se anima de uma forte diferente, uma forma inesperada e impactante, ele é fraco mais pulsa na vontade de reagir. Vejo nela a escuridão da minha obscura vida,vejo em lágrimas não derramadas a incerteza, a dúvida, e remorso que me assombram também, em minha mente, em meu ser e alma. Sei que és ainda pequena, mais é o ser pequeno que vejo todos os dias que a torna tão especial para mim. Enquanto os outros a tratam como uma grande e inesgotável fonte de segurança e maturidade, eu a trato como um ser igual a mim, igual a qualquer ser humano, errando sempre, claro, mais errando como você próprio sempre erra. Ela foge de tudo com sua aparência extravagante e muitas vezes peca no muito simplesmente pelo fato de seu cabelo, seu corpo ser a sua forma de expressar quem é ela mesmo enquanto eu fujo e me escondo dentro de mim mesmo. Ela sempre tem a coragem que eu nunca tive, ela faz coisas que eu a muito tempo quero fazer mais minha covardia não deixa ao mesmo tempo em que estar do lado dela faz com que a loucura me pegue e faço coisas que nem sonharia em fazer e isso é ótimo. Vejo ela em mim, não sabia que uma pessoa podia ser tão igual e ao mesmo tempo tão diferente de mim, acabo de descobrir uma nova forma de amar, uma forma de amar fraternalmente sem ligar para nada, é então que a vejo pequena e só o que queria fazer é protegê-la do mundo, mundo qual ela se encaixa, coisa que não vou nunca conseguir ou até mesmo não quero conseguir. Vejo ela tão pequena, tão desprotegida e precisando de um afeto, mas sei que ainda há luz para ela, sei que a salvação está nela, coisa que já perdi e não consigo ser levantar um dedo para tentar consegui-lá. Não posso ser mais salvo, ou até mesmo não quero ser salvo, mas sei que ela sim pode e faz de tudo para que isso possa acontecer, quero protege-la e ama-la para que ela não caias como eu caí.




                                                                                                                 Igor H.S.V.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Um dia eu pensei, que quando mais por baixo eu estivesse, mais eu teria pra falar. Hoje sei que tem um certo momento em que a gente simplesmente se cala.