sábado, 9 de julho de 2011

Uma dor a menos

Desci da cama. Pisei com cuidado nas nuvens que me serviam de tapete e olhei pra baixo. O mundo ainda explodia em guerra. Em menos de 1 minuto pude ver 2 casas virando fumaça. Tentei me concentrar em outra coisa. Vi logo a frente uma garotinha, sentada sozinha, numa nuvem escura, parecia chorar. Cheguei mais perto, sentei-me e lhe perguntei:

_Porque choras, linda menina?
_Meus pais estão lá em baixo.
_Oh, mas eles não demoram pra se juntarem a nós. Veja, são aqueles?
_Não, não são.

Eu a encaro por algum tempo. Não deve ter mais de 4 anos. Cabelos cor de mel, pele de pêssego, bochechas rosadas. Me lembra... Eu. Tive vontade de colocá-la em meu colo. Daria tudo naquele momento por um sorriso que fosse. Mas naquela situação era pedir demais. Pra mim, que estava ali a mais tempo ainda era assustador. Imagine pra ela, que não devia ter chegado a muito tempo? Sozinha, ainda por cima. Ela tinha parado de chorar. Agora encarava um casal com olhos de felicidade. Eram seus pais. Ela se levantou, os abraçou amorosamente. Eu entendi que era minha brecha pra sair de cena. As coisas ali em cima eram muito boas. Melhor que o sofrimento que se via lá em baixo. Vim sozinha, continuo sozinha, e parece que ficarei sempre sozinha aqui. Como no dia em que foi a minha casa que virou fumaça.



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