segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fique em silêncio...

Os portões de metal grosso foram se abrindo lentamente. O barulho de rangido, como se ele estivesse fechado por longos anos, me doeu nos ouvidos. Na verdade acho que ali -aqui- não se conta o tempo. Eu entrei, ainda assustada, nunca acreditei nisso e ver o quão real era me assustava mais ainda. Havia fogo por toda a parte e gemidos de dor e agonia. Pessoas correndo, chorando desesperadas, dizendo que seu lugar não era ali. Eu não sabia se adiantaria muito questionar isso, mas pra mim não fazia diferença, se existe um lugar onde eu deveria estar, era ali. Um pouco mais a frente, uma figura amedrontadora, mas diferente do que eu esperava encontrar. Uma mulher, vestida toda em lingerie vermelha, chifres no alto da testa. Seria excitante, se não fosse as incontáveis cicatrizes e a imensa quantidade de sangue espalhada por todo o corpo daquela mulher, que chamava meu nome de forma suave enquanto eu a estudava. Aos poucos, os chamados ficavam mais violentos. Ela começou a andar em minha direção e me abordou. Nesse momento, acordei assustada. Não passou de um sonho. Já estava claro. Ele tinha acordado com minha agitação. Me abraçou e me disse tudo que eu precisava ouvir naquele momento. "Está tudo bem, eu estou aqui com você."

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