quinta-feira, 30 de junho de 2011

Só uma ilha

Ela é loira e vai sair de saia curta. Deixou escrúpulos e a identidade em casa. Quer se esquecer de quem é, ou foi. Não liga mais pros olhares intrigados. Está com frio mas pretende corrigir isso logo. Uma dose de qualquer coisa que te deram e começa a esquentar. Ela preferia um abraço. Dizem que esquenta mais que bebida. Dizem, ela não se lembra. Os abraços que tem ganhado nos último tempos têm sido mais frios que pedras de gelo. Sabe que amanhã vão lhe contar várias coisas que ela não se lembra de ter feito. Não liga. Deixou de ligar a muito tempo. Quando numa tarde fria perdeu sua alma. Perdeu não, roubaram. Numa tarde em que deixou de ser continente pra ser ilha. Deixou de ser a única. Virou mais uma.


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